Todos os dias adotamos pessoas!




Maus tratos. Negligência. Famílias desestruturadas ou destruídas pelo vício. Discriminação de diversos tipos. Esses são apenas alguns motivos que levam pais a desampararem seus filhos. São razões diferentes que, para essas crianças, possuem o mesmo significado: abandono.
No Brasil há 5.281 crianças e adolescentes aptos à adoção. Do outro lado, mais de 28 mil homens e mulheres desejam adotar um filho. Se o número de pais dispostos a dar um lar é cinco vezes maior que a quantidade de crianças sem família, por que ainda existe fila de adoção? Por que ainda ouvimos relatos sobre longa espera dos que estão na fila à espera de um filho?
As casas de acolhimento estão cheias porque a imagem comumente relacionada a elas é a de bebês recém nascidos, saudáveis e, geralmente, brancos. Esses tantos homens e mulheres que estão na fila esperam porque, em grande maioria, têm exigências. Como se o processo de adoção não fosse naturalmente delicado e minucioso, algumas pessoas vão aos abrigos como se estivessem indo ao supermercado, em busca do produto perfeito para levar para casa. Além disso, existe a demora devido à burocracia envolvida no processo de adoção. As comarcas possuem poucos profissionais preparados para analisar os processos, o que atrasa ainda mais o sonho dessas crianças de ter uma família.
A cada dez pais que desejam adotar, nove exigem faixa etária de até cinco anos. Enquanto 85% dos pais se concentram nas regiões Sul e Sudeste, as regiões Norte e Nordeste possuem a maior quantidade de crianças que “cumprem” esses requisitos. Esse tipo de exigência se torna um empecilho, já que, de cem crianças, apenas nove possuem menos de cinco anos. Já os que aceitam crianças negras, pardas ou indígenas costumam ser mais flexíveis e geralmente não fazem outros tipos de restrição quanto ao sexo ou à idade. Os que buscam crianças mais velhas tampouco costumam fazer quaisquer exigências.
Esses dados revelam os mitos e tabus acerca da adoção. Quanto às exigências raciais, nota-se o preconceito encubado, disfarçado, como se para adotar uma criança, ela precisasse possuir a mesma cor dos pais para ser aceita pela família e pela sociedade. Como se, ser de uma cor diferente a impedisse de ser realmente integrada ao lar, porque a cor seria um lembrete constante de que não há laços de sangue envolvidos. Adotar é um processo de dentro para fora, e não o contrário. O desejo de ter uma família e acolher uma vida deve ser maior do que a necessidade de satisfazer o desejo pessoal de ser pai. Adotar somente com esse intuito é uma espécie de egoísmo que acaba refletindo nesse tipo de exigências. Quer dizer, você sonha em ser pai, mas o que a criança aparenta é mais importante do que ela possa se tornar em sua vida e você na dela.
Para as exigências de faixa etária, é dada a justificativa de que seria mais difícil educar uma criança mais velha. Em pesquisa realizada por Levy e Féres-Carneiro (2001), foi verificado que os pais que optam por crianças com a menor idade possível, na verdade têm o desejo de apagar a história passada da criança e cancelar qualquer herança genética que venha interferir no processo de formação. Logo, quanto mais velha ela for, mais bagagem terá e mais difícil será a adaptação entre pai e filho.
Weber (2003) realizou uma pesquisa com pais e filhos adotivos de todo o Brasil e constatou que a idade avançada no momento da adoção não é fonte de problema. Ebrahim (2000) sustenta que a adoção de crianças maiores é totalmente viável e que seu sucesso depende de fatores como a história da criança, o fato de ela desejar ou não ser adotada e, principalmente, da atitude dos pais adotivos para com ela.
As casas de acolhimento só irão esvaziar e esses mais de vinte e oito mil pais só irão realizar seus sonhos quando houver uma mudança no pensamento e na atitude de todos os brasileiros. É preciso destruir barreiras, erradicar preconceitos e perceber que adoção não é caridade e não deve ser feita por um capricho. Uma criança não entrará num lar para tentar apagar as mágoas de pais que não puderam ter filhos biológicos, e sim para ser igualmente amada. A espera dos pais é equivalente às suas prioridades: quanto mais importante for a aparência ou a idade, maior é a demora de levar seu filho para casa.
Todos os dias adotamos pessoas que não tem nosso sangue e já possuem história. Amigos, cônjuges, pessoas que aceitamos amar independente de qualquer obstáculo. Que seja assim com a adoção também.

Alessandra Mirele de Souza
 Referências: Conselho Nacional de Justiça (CNJ)

Candidatos aptos à adoção conhecem histórias de crianças por vídeos.

O Judiciário gaúcho iniciou no dia 19 de outubro a produção de vídeos com jovens aptos à adoção. No material, que será disponibilizado apenas para candidatos a adotantes já habilitados, crianças e adolescentes contam um pouco sobre suas histórias e rotinas em abrigos e casas lares da capital. O projeto piloto será realizado na Comarca de Porto Alegre e integra a campanha Deixa o Amor te Surpreender, lançada no dia 14 de outubro. A ideia é incentivar a adoção de crianças com mais de 10 anos, adolescentes, grupos de irmãos e jovens com deficiência.
"O objetivo é contar a história desses jovens, sem expô-los, mas que a gente possa também trazer uma reflexão para as pessoas dispostas ao processo adotivo, para que possam ampliar o perfil desejado, dentro do espírito da campanha", afirma o juiz Marcelo Mairon Rodrigues, titular do 2º Juizado da Infância e Juventude da capital. O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) preconiza que os direitos deles devem ser assegurados com absoluta prioridade. "O que estamos fazendo aqui é tirar essa prioridade do papel para colocá-la na prática", ressaltou o magistrado.
Na primeira casa lar visitada, vivem oito jovens, com idades entre 7 e 17 anos, dos quais seis estão aptos para adoção. Em todos os casos, o uso de drogas por parte dos pais está ligado aos motivos que levaram ao afastamento da família de origem. O juiz Marcelo Mairon destaca que a drogadição é um fator que também prejudica o andamento do processo que definirá o destino desses jovens. "A localização dos pais se torna muito difícil já que, muitas vezes, eles não têm residência fixa ou conhecida. Isso acaba atrasando os trabalhos", afirmou.
Evolução - A psicóloga Solange Paim, do Abrigo João Paulo II, explica que, quando os jovens ingressam na instituição, a preocupação é que se sintam acolhidos. "O objetivo é também avaliá-los, em conjunto com o serviço social, identificando dificuldades e demandas. Eles vêm com uma realidade de vida difícil. Mas, quando passam a ser acolhidos, a evolução é perceptível", ressaltou.
O abrigo João Paulo II tem 13 casas lares em Porto Alegre, seis em Viamão e três em Alvorada. Elas têm estrutura de um lar de verdade, pais sociais e, geralmente, abrigam até 10 acolhidos. Já nos abrigos, a rotatividade de cuidadores é maior, assim como o número de crianças e adolescentes.
Quando o caminho é a colocação em adoção, o preparo das crianças e adolescentes é feito em conjunto com o Poder Judiciário. "Eles são questionados se querem ter uma nova família. Muitos já não falam nisso; depende da faixa etária. Já outros, embora não digam claramente, querem sim", diz a psicóloga Solange Paim.
Perfil - Quanto maior a idade, mais difíceis as chances de adoção. O perfil procurado pela maioria dos candidatos a adotantes é de crianças de até 3 anos. Atualmente, no Rio Grande do Sul 90% dos jovens aptos para adoção têm mais de 10 anos. Para os adolescentes a partir dos 14 anos, a psicóloga conta que é feita uma preparação, trabalhando a autonomia para deixarem o abrigo.
Com foco nas adoções de crianças com mais de 10 anos, adolescentes, grupos de irmãos e jovens com deficiência, a campanha Deixa o Amor te Surpreender foi lançada pelo Poder Judiciário no dia 14 de outubro. Entre as medidas já tomadas, o 2º Juizado da Infância e Juventude de Porto Alegre recebeu o reforço de mais uma magistrada e servidores. A unidade está promovendo ainda seminários com candidatos a pais adotivos, esclarecendo dúvidas sobre os aspectos jurídicos e técnicos da matéria e possibilitando a troca de experiências sobre o tema e despertar a reflexão sobre a adoção tardia.
Além da campanha, a Coordenadoria da Infância e Juventude do Rio Grande do Sul está desenvolvendo outros projetos para propiciar a convivência familiar nas diversas comarcas do estado, tais como: Apadrinhar (programa de apadrinhamento afetivo), Preparação para Adoção (sistematização dos encontros preparatórios com os candidatos à adoção), Entrega Responsável (programa que orienta mães e gestantes que manifestam o interesse em entregar seu filho em adoção) e o Busca Se (R), que são ações de busca ativa para a localização de famílias para as crianças e adolescentes que não tiveram possibilidades de adoção imediata pelo Cadastro Nacional de Adoção e que ainda aguardam um lar.
Fonte: TJRS

Casal que abriu mão da preferência e conseguiu a adoção em semanas.

A vida depois de adotar duas crianças.



“Está tudo diferente. A gente teve uma mudança de 180 graus. Ter filhos muda toda a nossa visão de mundo, a perspectiva, o que a gente deseja para o futuro, a vontade de cuidar de outra pessoa, o interesse, o foco da sua vida, enfim. A gente acaba pensando primeiro neles e depois na gente mesmo. É fantástico ter filhos. A melhor coisa que pode acontecer na vida de alguém”, diz Carol.

O Amor se constrói através do Respeito!

video

Psicólogo Rossandro Klinjey. 
Entrevistado pelo Programa Ideia Livre.

Compartilhe!




Dia Mundial da Adoção!



O Dia Mundial da Adoção foi transferido para 15 de novembro.


Vamos Comemorar o Dia Mundial da Adoção: É hora de desenhar um Sorriso!

Esse dia será marcado por uma invasão das “smileys faces” – aquelas carinhas sorridentes – na internet.
 É a marca escolhida para celebrar a campanha do Dia Mundial da Adoção.

A campanha é simples, mas com um objetivo para lá de ambicioso: gerar um mundo sem órfãos.
Para participar basta desenhar a tal carinha sorridente na mão e postar com a hashtag #worldadoptionday. 

Para o Brasil também contar com sua mobilização, ....  #diamundialdaadoção
Vários países,  estão participando segundo a organização.

Compartilhando de World Adoption Day:
 #diamundialdaadoção #worldaadoptionday

Projeto quer acelerar processos de adoção no país.


Debate sobre novas regras de adoção recebe cerca de 800 contribuições
Consulta pública termina nesta sexta; entenda as mudanças propostas.
Associação que reúne grupos de adoção considera processo 'açodado'.


A um dia do fim da consulta pública sobre a revisão nos procedimentos de adoção no país, o Ministério da Justiça e Cidadania contabiliza cerca de 800 contribuições da população em sua plataforma online. A pasta irá analisar as mensagens enviadas antes de finalizar a minuta que irá enviar ao Congresso. A expectativa é que isso ocorra ainda neste ano.
A consulta pública foi aberta por um mês para debater o que pode ser melhorado na legislação atual. Ela será encerrada nesta sexta (4). Já houve, antes disso, discussões com promotores, juízes e especialistas. O projeto de lei elaborado pela pasta tem como objetivo acelerar os processos de adoção no país. Para isso, são propostas alterações especialmente no Estatuto da Criança e do Adolescente. Entre elas estão prazos pré-estabelecidos para o estágio de convivência e para a conclusão da ação de adoção.

Há atualmente 38.072 pretendentes no Cadastro Nacional de Adoção. Na outra ponta, estão 7.158 crianças cadastradas. Além da demora, há outros fatores que fazem com que esse abismo não seja superado, como a exigência de alguns pais em relação ao sexo, à idade e à cor das crianças.
Outro ponto importante diz respeito à destituição do poder familiar. Muitas das crianças em abrigos não estão aptas à adoção por esse motivo. A estimativa é que haja 46 mil crianças em instituições de acolhimento no país. E a demora da Justiça, neste caso, também faz com que as crianças envelheçam e aproximações acabem não ocorrendo.
O projeto do governo estipula prazos hoje não contemplados, regulamenta a função do “padrinho afetivo” e propõe, no fim, uma mudança simbólica do nome de “família substituta” para “família adotiva”.

VEJA O QUE PODE MUDAR:

TEMPO DO PROCESSO
Como é hoje:
A Justiça avalia caso a caso e estipula o tempo que acha necessário para o estágio de convivência, para a guarda provisória e para dar a sentença da adoção em definitivo
O que diz o projeto:
O estágio de convivência terá no máximo 90 dias e poderá ser prorrogado por igual período. Já o prazo máximo para conclusão da ação será de 120 dias, prorrogáveis por igual período.


ENTREGA VOLUNTÁRIA
Como é hoje:
A lei diz que “as gestantes ou mães que manifestem interesse em entregar seus filhos para adoção serão encaminhadas, sem constrangimento, à Justiça da Infância e da Juventude”. Na prática, no entanto, muitas têm medo de fazê-lo, já que muitas vezes são acusadas de crime (abandono de incapaz).

O que diz o projeto:
Ele afirma que, “caso a mãe não indique a paternidade e decida entregar voluntariamente a criança para adoção, ela terá 60 dias a partir do aconselhamento institucional para reclamá-la ou indicar pessoa da família extensa como guardião ou adotante”. Terminado esse prazo, a destituição do poder familiar será imediata e a criança será colocada para adoção.


APADRINHAMENTO
Como é hoje:
Não existe na lei a regulamentação do apadrinhamento, mas há projetos sendo realizados em várias partes do país.

O que diz o projeto:
Ele define o papel do padrinho como aquele que “estabelece e proporciona aos afilhados vínculos externos à instituição, tais como visitas, passeios nos fins de semana, comemoração de aniversários ou datas especiais, além de prestar assistência moral, afetiva, física e educacional ao afilhado, ou, quando possível, colaborar na qualificação pessoal e profissional, por meio de cursos profissionalizantes, estágios em instituições, reforço escolar, prática de esportes entre outros”. Os padrinhos têm de ter no mínimo 18 anos e uma diferença de idade de ao menos dez para a criança ou para o adolescente.


ADOÇÃO INTERNACIONAL
Como é hoje:
O prazo mínimo para o estágio de convivência é de 30 dias. Não há menção a limite máximo.

O que diz o projeto:
O estágio de convivência deverá ser de no mínimo 15 e no máximo 45 dias.


Assista ao vídeo da reportagem no link abaixo:
  

Faça a sua parte!


“E se eu passar dos 12 anos e não for adotado?”



Como fica o adolescente que não pode retornar para seus familiares e não há possibilidade de adoção em função da idade ou de sua resistência a nova família candidata a adotá-lo?

O que as instituições de acolhimento (suas equipes, coordenadores, cuidadores e diversos outros atores) fazem para que esses adolescentes possam sair da Instituição e estarem em condição de enfrentar a vida sem nenhum suporte (uma referência no caso de ficar doente, uma casa para passar o natal)?

Soube que há poucos anos, numa cidade do Sudeste, alguns adolescentes saíram de um Abrigo com 18 anos e foram morar num prédio abandonado. Eles tiveram cama, alimentação, roupa lavada, cuidados diversos até os 17 anos e 11 meses e depois foram para rua sem nada. O que você faria para sobreviver estando nessa condição? O que deveríamos fazer para que histórias assim não se repitam?

Em primeiro lugar, essas instituições (antigamente chamadas de orfanatos) precisam se organizar, planejar pelo menos como serão os 4 últimos anos dos adolescentes acolhidos antes de se completar a maioridade. Os projetos de “preparação para a saída dos adolescentes acolhidos” deve ter o TOTAL apoio financeiro da Prefeitura para educar de “verdade” esses jovens. Se elas e eles apresentam uma baixa autoestima, baixa escolaridade, nenhum curso profissionalizante, como poderão encontrar um trabalho? Mesmo que exista somente uma tia distante que aceita receber o adolescente um dia do mês para visita, que a instituição o leve até lá. É um laço que fará falta no futuro.

Participei de uma audiência que alguns tios foram tão pressionados e tão invadidos na sua privacidade por diversas equipes profissionais que se sentiram acuados e se afastaram do sobrinho que estava acolhido. O excesso de visitas domiciliares por assistentes sociais, psicólogos e outros profissionais da instituição também podem prejudicar a reaproximação familiar, assim como o contrário também pode prejudicar a construção do afeto. Nesse trabalho todo cuidado é pouco, pois são vidas feridas pelo abandono (ou violência) dos pais.

Defendo ainda os projetos de colocação no mercado laboral a partir dos 14 anos, o chamado“Jovem Aprendiz”. A prefeitura de Rio das Flores (RJ) implantou este projeto há alguns anos e além de qualificar o adolescente “acolhido”, este guardará 80% do salário e sairá aos 18 anos com uma poupança e com um currículo iniciado. Futuramente, a prefeitura de Valença (RJ) também implantará o mesmo projeto. É um caminho!

Participei de uma audiência concentrada na cidade do Carmo (RJ) – estas acontecem duas vezes ao ano no Estado do Rio de Janeiro, abril e outubro, para se avaliar a situação de cada criança e adolescente institucionalizado. Então, observou-se que alguns adolescentes sairiam da instituição de acolhimento porque haviam completado 18 anos. Como não estavam trabalhando, promotora e juiz acordaram que a Prefeitura pagaria um aluguel para os mesmos, até que eles estivessem empregados.

Acredito que respostas exitosas possam aparecer para as indagações iniciais do presente texto, entretanto são necessários autoridades e profissionais comprometidos com a causa da infância.

No ano passado participei de um processo onde dois adolescentes cometeram um ato infracional e, ao invés de puni-los com medida extrema (internação), promotora e juiz decidiram transferi-los para outras instituições. Nestes Abrigos eles foram tratados sem rótulos e individualmente, os resultados positivos foram impressionantes. Um deles retornou ao Abrigo de origem e sempre se refere com saudade da outra instituição onde recebeu um olhar diferenciado, especial. O segundo adolescente, continua na instituição para onde foi encaminhado e lá está inserido em diversas atividades, inclusive há dois meses está exercendo uma função remunerada na Prefeitura.

Vale destacar, que esses jovens apresentam altos e baixos porque possuem uma história difícil de sofrimento – desamparo dos próprios familiares. Talvez se tornariam mais revoltados se tivessem sido “punidos” com medida de internação. Ter saído de sua cidade já foi um limite importante, não faltou à intervenção da justiça.

É lamentável quando os cuidadores e coordenadores das instituições de acolhimento se queixam com frequência do comportamento dos acolhidos, alguns dizem que eles deveriam ser mais “obedientes” e “calmos”. Esses funcionários deveriam ser mais preparados para a função e também deveriam receber salários mais justos. O treinamento constante dos cuidadores também seria essencial, eles não podem e nem devem “proteger” os mais “tranquilos” e “perseguir” os mais “revoltados” e estigmatizá-los.

É claro que as crianças necessitam seguir as regras e uma rotina organizada, isso também é fundamental para educação dos mesmos.Mas eles chegam de lares que não havia horário para nada, sendo difícil se adaptar a uma instituição com várias regras.

Outro adolescente, muito inteligente, teve oportunidade de ser adotado, mas não se adaptou. Ele diz que possui o desejo de voltar a conviver com o pai e fala com muita propriedade dos seus direitos. O genitor passou por muitos reveses e por isso perdeu a guarda dos filhos. Mas J. (13 anos) não perdeu as esperanças, ele ainda acredita que poderá um dia morar com o seu pai.

Recentemente, J. cometeu um ato infracional. Promotora e juiz decidiram colocá-lo numa instituição fechada, ele cumpriria a medida de internação. No domingo, o juiz da comarca decidiu visitá-lo na Delegacia; ele estava aguardando a transferência e seria levado na segunda-feira para um local destinado aos adolescentes infratores. Nesta visita o juiz decidiu dar-lhe mais uma chance. Com a concordância da promotora, o adolescente foi para uma Instituição de Acolhimento que tem sido um modelo de qualidade no atendimento na região.

Então, na nova instituição, J. foi entrevistado para um concurso, gostaram do que ele falou e, em breve, será premiado. Na entrevista o adolescente conta que quer mudar de rumo, “quer ser um homem responsável com suas obrigações”, que deseja – quando for adulto – ser um pai dedicado, um pai diferente que o seu conseguiu ser. Contou, determinado, que decidiu estudar para ser juiz.

J. viu no juiz que foi visitá-lo um modelo, alguém que vale a pena “copiar”. O magistrado o escutou, olhou para ele, demonstrou preocupação sincera pela sua história de vida e lhe deu outra oportunidade.

Em breve, entrevistaremos J. e deixaremos ele mesmo contar para vocês sua experiência. Aguardem!

Pai incentiva filha a repetir frases de empoderamento!



Empoderar os filhos é uma atitude que todos os pais deveriam ter, desde os primeiros anos da criança. E isso pode ser mais simples do que nós imaginamos. Basta uma conversa sobre autoestima e também sobre respeito ao próximo, independente da sua classe social, raça, gênero, sexualidade.
É o que faz um pai em um vídeo que viralizou nas redes sociais. No vídeo, o pai de uma menina que aparenta ter 4, 5 aninhos pede para a filha repetir frases de empoderamento na frente do espelho (“Eu sou linda!”, “Eu me respeito!”), olhando em seus olhos, para que ela absorva lições importantes para crescer feliz e sabendo o quanto ela é especial.
A menina parece entender o sentido de cada frase falada pelo pai. Ela não repete da boca para fora, mas absorve e interioriza o que elas querem dizer. O ator Lázaro Ramos, marido da atriz Taís Araújo, duas figuras importantes na luta contra o racismo e o empoderamento das pessoas negras no Brasil, compartilhou o vídeo em sua página no Facebook. O post já alcançou a marca de mais de 34 mil compartilhamentos e 19 mil reações.
“Olha que relação bonita desse pai com sua filha. Vamos aproveitar que estamos curtindo o fim de semana em casa, alguns não estão trabalhando, pegue seu filho e trabalhe a autoestima, coragem e dedicação para realizar os objetivos dele”, escreveu o ator.

Sou um pai realizado com a chegada do quarto filho adotivo!


Luiz Fernando

Pai do Luiz Guilherme, Ana Luiza, Ana Clara e Luiz Felipe

♥ “Eu que tenho que agradecê-los, afinal eles fizeram a história ser escrita da maneira que sempre desejei, sem limites e sem barreiras.”


08.08.2016 - Hoje sou um pai realizado com a chegada do quarto filho adotivo, mas qual foi o caminho percorrido até aqui?
Minha esposa Ana Karina já contou um pouco da nossa história sobre as três primeiras adoções, e hoje eu conto o meu lado da história!
Nasci em uma cidade pequena do interior de São Paulo, aonde meus pais vieram de famílias grandes, sendo 15 filhos de cada lado, ou seja, desde criança o desejo de ser pai era imenso, afinal a casa estava sempre cheia, com muita diversão, brincadeiras e bagunça.
Claro que quando crescemos nos tornamos mais racionais, porém, o desejo de ser pai nunca se apagou. Em agosto de 2002, eu e a Ana Karina resolvemos nos casar, após cinco meses de namoro. Nossa principal meta era construir uma família, mas o destino não era tão simples assim.
“Descobrimos que o caminho até a paternidade seria árduo, pois fomos privados da realização natural de nossos sonhos, mas nunca, nunca desistimos.”
Iniciou então nossa jornada, tentamos, gastamos, choramos e nada… Seria hora de desistir? Jamais! Nem passou em minha cabeça, pois a adoção já fazia parte de nossos planos, para nós, não importava o meio de se tornar pai, afinal o pai verdadeiro é aquele que acolhe, que cuida e que ama.
Para minha grande alegria, a vida tomou outro rumo em novembro de 2005 com a chegada do Luiz Guilherme, através da fila de adoção. Foi um sentimento mágico, difícil de expressar em palavras, pois se tornar pai da noite para o dia é algo realmente extraordinário.
Agora sim, posso gritar a pleno pulmões que SOU PAI!
Certo, mas e aquela história de família grande? Minha família era grande e meu desejo era ter mais filhos, então a luta continuou, o que não foi nada fácil, muita burocracia, muita espera, decepções, mas tínhamos que continuar.
Então, em agosto de 2008 chegou minha princesa Ana Luiza, foi aí que senti ter fechado mais um ciclo da vida, afinal tinha um casal de filhos, a configuração ideal para nós!
Agora posso encerrar minha história… Ou não!
“Nossa família estava completa, mas não fechamos a porta de nossos corações.”
Como estávamos de coração aberto, não é que a família cresceu em setembro de 2011 com a chegada da Ana Clara?
Agora sim! Mais completos do que nunca. Meus pais tiveram três filhos, meus irmãos também tiveram três filhos, mas calma aí…não temos que ser iguais, portanto, corações abertos!
A crise chegou. Decidimos economizar, menos passeio, menos diversão, mas tinha algo de sobra, que era o amor de pai.
E no meio da turbulência chegou ele, o caçula, meu pequeno grande homem Luiz Felipe, hoje com um mês de vida. Tornei-me pai novamente aos 40, história essa que minha esposa também relatou, a nossa espera por ele!
Às vezes penso a respeito da história dessas quatro crianças, o que a vida fez para que hoje estivéssemos juntos, o que Deus traçou para nos cruzarmos e o que Ele ainda planeja para nossa família.
“Meus filhos me agradecem pela adoção, mas não, eu que tenho que agradecê-los, afinal eles fizeram a história ser escrita da maneira que sempre desejei e com algo a mais, que é esse amor incondicional, sem limites e sem barreiras.”
Agradeço de coração a esposa maravilhosa que tenho, que me ajuda a ser um pai melhor, mas com quatro anjinhos ao meu lado, essa tarefa se torna muito mais fácil e prazerosa.

Trate os seus filhos como você gostaria de ser tratado.



Apague seus medos, dê nome a essas emoções que eles não sabem expressar, dê a eles o seu tempo de presente, realize seus sonhos e faça com que eles sintam que são as pessoas mais valiosas do mundo.
É curioso como atualmente muitas mães e muitos pais veem a criança com um pouco de medo. Eles leem manuais de educação, procuram estar instruídos nas mais recentes teorias e buscam resposta para cada problema na internet ou com os amigos (que também são pais ou não), conhecidos como verdadeiros gurus em questões parentais. Estes pais se esquecem de ouvir algo muito mais valioso do que tudo isso: seu instinto natural.
Uma criança não quer gritos nem entende nada sobre repreensão. Seu filho merece ser tratado com a arte da escuta, da paciência e da grandeza do afeto. Porque as crianças não precisam ser “domadas”, precisam ser amadas.
O instinto de uma mãe ou a capacidade natural de um pai na hora de intuir as necessidades dos seus próprios filhos é, sem dúvida, a melhor estratégia para educá-los. Os filhos chegam ao mundo com uma bondade inata, por isso merecem ser tratados com respeito para salvaguardar esta nobreza do coração, atendendo com naturalidade e sem medo cada acontecimento que o dia a dia nos traz.

Os filhos devem ser tratados com afeto e sem medos

Existem mães e pais que têm medo de fracassar em seus papéis como progenitoresEles pensam que pode ser uma tragédia não poder dar a eles a melhor festa de aniversário, não encontrar vagas para eles na melhor escola da cidade ou não poder comprar para eles a mesma roupa de marca que seus amiguinhos usam no colégio. Eles aspiram, de algum modo, oferecer aos seus filhos aquilo que eles próprios não tiveram.
É claro que cada um é livre para escolher como educar um filho, mas muitas vezes esquecemos como são as crianças e tudo o que acontece no seu interior. Nos obstinamos em pensar em tudo o que devemos oferecer a eles sem descobrir primeiro do que eles realmente precisam: nós mesmos.
  • Uma criança não é um adulto em miniatura, é uma pessoa que precisa entender o mundo através de você e com a sua ajuda.
  • Uma criança age sempre por necessidades e não por manipulação ou malícia como os adultosTemos que ser intuitivos diante dessas demandas.
  • Uma criança deve, acima de tudo, ser tratada com afeto. Nossos filhos não precisam de roupas de marca ou jogos eletrônicos para brincarem sozinhos. Eles precisam do seu tempo, do seu exemplo, dos seus abraços de boa noite e da sua mão para segurar ao atravessar a rua.

A criação autorregulada: compreender e acompanhar

A criação autorregulada é nutrida diretamente com as teorias do apego formuladas pelo psiquiatra Wilhelm Reich. Atualmente elas voltaram a ser comentadas porque exaltam uma série de conceitos-chave mediante os quais é possível se conectar muito melhor com a infância, com seus tempos, com suas necessidades.

Uma mãe é mais eficaz do que nunca quando confia no seu instinto, quando lê nos olhos do seu filho aquilo que ele realmente precisa.
O interessante desta abordagem é que entende-se a autorregulação como sinônimo de vida, da necessidade de fazer contato pela primeira vez com a nossa própria complexidade pessoal para entender que a criança também tem suas próprias necessidades, seus próprios conflitos gerados, por vezes, por uma sociedade que não compreende a infância e nem a criança.

Chaves para uma criação autorregulada

A criação autorregulada nos diz que uma criança que foi tratada com respeito na sua infância e que também viu como seus pais respeitavam todos aqueles que os rodeavam será um adulto respeitoso.
Mas como podemos alcançar essa conquista? Como a criação autorregulada nos ensina a criar adultos felizes para o mundo?
  • Uma criança deve se sentir compreendida e acompanhada em todos os momentos. Se a frustração aparece, ela deixa de se sentir adaptada, integrada.
  • É preciso educar com um apego saudável baseado no amor e na proximidadeDesta forma, pouco a pouco essa criança se sentirá segura para dar seus próprios passos para alcançar a independência.
  • A voz de uma criança deve ser escutada em todos os momentos, porque elas também devem ser levados em conta quando riem e quando choram, quando exigem ou quando sugerem.
  • A criação autorregulada também nos fala do tempo, de não iniciar o aprendizado intelectual até a criança fazer 7 anos, para proporcionar uma infância de descobrimentos através de brincadeiras.
A interação com os ambientes em que a criança está inserida através dos cinco sentidos e das relações com seus iguais mediante a alegria também nos oferece um modo interessante de favorecer seu desenvolvimento psicossocial. No entanto, e seja qual for a abordagem que escolhermos para criar nossos filhos, não devemos nos esquecer de algo tão simples como tratá-los com essa fórmula mágica certeira e infalível: o amor.

O Cavalinho que nasceu do Coração!



SINOPSE:
Este livro nos conduz a um ambiente frágil e ao mesmo tempo poderoso: o lugar das relações de amizade, solidariedade e da procura pela felicidade. Cercado por amigos que o ajudam a encontrar uma mamãe, Pepo representa milhares de crianças que sonham com um lar onde possam ser felizes.


  • Cortez Editora
  • Autor: Rossana Ramos
  • Ilustrador: Mari Ines Piekas

O que o destino me mandar!