Trate os seus filhos como você gostaria de ser tratado.



Apague seus medos, dê nome a essas emoções que eles não sabem expressar, dê a eles o seu tempo de presente, realize seus sonhos e faça com que eles sintam que são as pessoas mais valiosas do mundo.
É curioso como atualmente muitas mães e muitos pais veem a criança com um pouco de medo. Eles leem manuais de educação, procuram estar instruídos nas mais recentes teorias e buscam resposta para cada problema na internet ou com os amigos (que também são pais ou não), conhecidos como verdadeiros gurus em questões parentais. Estes pais se esquecem de ouvir algo muito mais valioso do que tudo isso: seu instinto natural.
Uma criança não quer gritos nem entende nada sobre repreensão. Seu filho merece ser tratado com a arte da escuta, da paciência e da grandeza do afeto. Porque as crianças não precisam ser “domadas”, precisam ser amadas.
O instinto de uma mãe ou a capacidade natural de um pai na hora de intuir as necessidades dos seus próprios filhos é, sem dúvida, a melhor estratégia para educá-los. Os filhos chegam ao mundo com uma bondade inata, por isso merecem ser tratados com respeito para salvaguardar esta nobreza do coração, atendendo com naturalidade e sem medo cada acontecimento que o dia a dia nos traz.

Os filhos devem ser tratados com afeto e sem medos

Existem mães e pais que têm medo de fracassar em seus papéis como progenitoresEles pensam que pode ser uma tragédia não poder dar a eles a melhor festa de aniversário, não encontrar vagas para eles na melhor escola da cidade ou não poder comprar para eles a mesma roupa de marca que seus amiguinhos usam no colégio. Eles aspiram, de algum modo, oferecer aos seus filhos aquilo que eles próprios não tiveram.
É claro que cada um é livre para escolher como educar um filho, mas muitas vezes esquecemos como são as crianças e tudo o que acontece no seu interior. Nos obstinamos em pensar em tudo o que devemos oferecer a eles sem descobrir primeiro do que eles realmente precisam: nós mesmos.
  • Uma criança não é um adulto em miniatura, é uma pessoa que precisa entender o mundo através de você e com a sua ajuda.
  • Uma criança age sempre por necessidades e não por manipulação ou malícia como os adultosTemos que ser intuitivos diante dessas demandas.
  • Uma criança deve, acima de tudo, ser tratada com afeto. Nossos filhos não precisam de roupas de marca ou jogos eletrônicos para brincarem sozinhos. Eles precisam do seu tempo, do seu exemplo, dos seus abraços de boa noite e da sua mão para segurar ao atravessar a rua.

A criação autorregulada: compreender e acompanhar

A criação autorregulada é nutrida diretamente com as teorias do apego formuladas pelo psiquiatra Wilhelm Reich. Atualmente elas voltaram a ser comentadas porque exaltam uma série de conceitos-chave mediante os quais é possível se conectar muito melhor com a infância, com seus tempos, com suas necessidades.

Uma mãe é mais eficaz do que nunca quando confia no seu instinto, quando lê nos olhos do seu filho aquilo que ele realmente precisa.
O interessante desta abordagem é que entende-se a autorregulação como sinônimo de vida, da necessidade de fazer contato pela primeira vez com a nossa própria complexidade pessoal para entender que a criança também tem suas próprias necessidades, seus próprios conflitos gerados, por vezes, por uma sociedade que não compreende a infância e nem a criança.

Chaves para uma criação autorregulada

A criação autorregulada nos diz que uma criança que foi tratada com respeito na sua infância e que também viu como seus pais respeitavam todos aqueles que os rodeavam será um adulto respeitoso.
Mas como podemos alcançar essa conquista? Como a criação autorregulada nos ensina a criar adultos felizes para o mundo?
  • Uma criança deve se sentir compreendida e acompanhada em todos os momentos. Se a frustração aparece, ela deixa de se sentir adaptada, integrada.
  • É preciso educar com um apego saudável baseado no amor e na proximidadeDesta forma, pouco a pouco essa criança se sentirá segura para dar seus próprios passos para alcançar a independência.
  • A voz de uma criança deve ser escutada em todos os momentos, porque elas também devem ser levados em conta quando riem e quando choram, quando exigem ou quando sugerem.
  • A criação autorregulada também nos fala do tempo, de não iniciar o aprendizado intelectual até a criança fazer 7 anos, para proporcionar uma infância de descobrimentos através de brincadeiras.
A interação com os ambientes em que a criança está inserida através dos cinco sentidos e das relações com seus iguais mediante a alegria também nos oferece um modo interessante de favorecer seu desenvolvimento psicossocial. No entanto, e seja qual for a abordagem que escolhermos para criar nossos filhos, não devemos nos esquecer de algo tão simples como tratá-los com essa fórmula mágica certeira e infalível: o amor.

O Cavalinho que nasceu do Coração!



SINOPSE:
Este livro nos conduz a um ambiente frágil e ao mesmo tempo poderoso: o lugar das relações de amizade, solidariedade e da procura pela felicidade. Cercado por amigos que o ajudam a encontrar uma mamãe, Pepo representa milhares de crianças que sonham com um lar onde possam ser felizes.


  • Cortez Editora
  • Autor: Rossana Ramos
  • Ilustrador: Mari Ines Piekas

O que o destino me mandar!

Parente e Família.



Sempre me emociono quando reparo o quanto filhos adotivos passam a se parecer com os seus responsáveis. Ninguém diz que foram adotados: o mesmo olhar, o mesmo andar, a mesma forma de soletrar a respiração. Há um DNA da ternura mais intenso do que o próprio DNA. Os traços mudam conforme o amor a uma voz ou de acordo com o aconchego de um abraço.
Não subestimo a força da convivência. Família é feita de presença mais do que de registro. Há pais ausentes que nunca serão pais, há padrastos atentos que sempre serão pais.
Não existem pai e mãe por decreto, representam conquistas sucessivas. Não existem pai e mãe vitalícios. A paternidade e a maternidade significam favoritismo, só que não se ganha uma partida por antecipação. É preciso jogar dia por dia, rodada por rodada. Já perdi os meus filhos por distração, já os reconquistei por insistência e esforço.
Família é uma coisa, ser parente é outra. Identifico uma diferença fundamental. Amigos podem ser mais irmãos do que os irmãos ou mais mães do que as mães.
Família vem de laços espirituais; parente se caracteriza por laços sanguíneos. As pessoas que mais amo no decorrer da minha existência formarão a minha família, mesmo que não tenham nada a ver com o meu sobrenome.
Família é chegada, não origem. Família se descobre na velhice, não no berço. Família é afinidade, não determinação biológica. Família é quem ficou ao lado nas dificuldades enquanto a maioria desapareceu. Família é uma turma de sobreviventes, de eleitos, que enfrentam o mundo em nossa trincheira e jamais mudam de lado.
Já parentes são fatalidades, um lance de sorte ou azar. Nascemos tão somente ao lado deles, que têm a chance natural de se tornarem família, mas nem todos aproveitam.
Árvore genealógica é o início do ciclo, jamais o seu apogeu. Importante também pousar, frequentar os galhos, cuidar das folhagens, abastecer as raízes: trabalho feito pelas aves genealógicas de nossas vidas, os nossos verdadeiros familiares e cúmplices de segredos e desafios. 
Dividir o teto não garante proximidade, o que assegura a afeição é dividir o destino.

Por: Fabrício Carpinejar

Você foi chamado para fazer a diferença!


Quando o Coração dá à Luz!

“No peito, não no ventre, a mãe vai gerando filhos.”

(Mia Couto)


Não sem assombro, nos últimos dois ou três anos, tenho acompanhado a maneira como o que se pretendia um inadiável trabalho de conscientização coletiva sobre a importância da humanização dos partos descarrilou-se, inadvertidamente, em oficina de disputas e neuroses injustificáveis.
Chegam-me, por variadas fontes, histórias recorrentes de mulheres que, após meses de preparação física e psíquica para um parto natural isento de intervenções médicas, imergem em desolação ensandecida por decorrência de uma cesariana ou mesmo de uma simples analgesia que se lhe impôs indispensável:
“A Natureza equipou a mulher com todos os recursos para dar à luz naturalmente. Nossas bisavós o fizeram, mas eu fui fraca.”
“Nunca me perdoei por, depois de 26 horas suportando o insuportável, ter implorado por uma anestesia.”
“Cesariana não é parto: é intervenção cirúrgica. Por conseguinte, não pari.”
“Sinto-me menos mulher.”
“Passaram-se meses e ainda não digeri o meu fracasso.”
A cada duas horas, dizem-nos as estatísticas, uma brasileira é assassinada. Os números aterradores são também convite para que reflitamos sobre tantas outras mortes que nos têm sido impostas nesses cinco mil anos de patriarcado devastador. Mortes que, de tão sutis, jamais são contabilizadas e, por isso mesmo, ceifam-nos com impiedade obscena.
Uma mulher é morta quando, catequizada pelas cartilhas desse empoderamento inverídico, renega os limites do próprio corpo, por acreditar que deveria vestir-se de um estoicismo três números além ou comprimir-se numa vulnerabilidade três aros aquém, para exercer o direito de habitar em si mesma. De novo (e sempre!) vozes externas ditando costumes e reeditando tendências. Cintos de castidade, espartilhos, pés-de-lótus, burcas, silicones.
Uma mulher é morta quando, depois de quase 40 semanas de feliz expectativa, recebe finalmente, nos braços, aquele serzinho tão desejado – quente, macio, coberto de vérnix. Nada obstante, ao invés de Amor, sente desolação e pavor, porque suas reservas de vivências foram-lhe paulatinamente subtraídas, quando a convenceram de que o que experenciou foi “qualquer coisa”. Intercorrência. Cirurgia. Nunca um parto. Como!? Se o que redunda de uma cesariana não é um apêndice supurado ou uma vesícula inútil, mas uma vida toda fresca em sua beleza pulsante.
No zênite da Criação, de novo (e sempre!), a fêmea banida do paraíso. A culpa. O choro e o ranger de dentes.
Essa macabra desconstrução da maternidade, claro, desconsidera as mulheres que se fazem mães pelas vias da adoção. Talvez porque, na utopia coletiva, adoção seja filantropia. Ou derradeiro recurso a que algumas mulheres recorrem, para se confortarem de uma possível infertilidade. Jamais uma dentre tantas possibilidades bonitas de se trazer alguém à luz.
“O mais importante e bonito, do mundo,” – sabia Guimarães Rosa – “ é isto: que as pessoas não estão sempre iguais, ainda não foram terminadas…” A mãe que gesta no coração também o sabe. Atina que a vida é feita de muitos nascimentos insopitáveis e cotidianos. Sua maternidade é desataviada de batalhas por empoderamento, porquanto desarmado e entregue é sempre o Amor.
Demanda-se leveza de pássaro, quando o que se intenta é fazer-se ninho para o pouso de outra vida. E a Vida –precisamos admitir – é a arte de gerenciar impotências próprias e alheias. É preciso critério ante os comandos inflamados de “–Mulheres, empoderem-se: vocês podem tudo!” O mito da onipotência humana é a matéria-prima de uma sociedade inábil para o imprescindível exercício da empatia, da convivência pacífica com a diversidade. Há bordões sonoros que seduzem e que, no entanto, custam-nos as possibilidades todas de amar!
Uma mulher torna-se mãe quando, em desdobramentos de Amor, traz à luz ela mesma e aceita que sua fragilidade existe. É legítima quando, de coração apertado, solta a mão de sua cria para os primeiros passos. Empluma-lhe as asas para imperiosos voos solos a despeito das gaiolas do mundo; da densidade plúmbea das ruas cuja violência atropela os que ainda se atrevem à Esperança. Inevitável. O cotidiano e sua despoesia apressada, tomando ônibus, táxis, metrôs. O Imprevisto espreitando de cada esquina.
O coração dá à luz, quando descobre sua desmesurada capacidade de amar para além dos laços de conjunções biológicas. Ou da própria Lógica. Buscar o filho num abrigo é um modo lúcido e desobrigado de parir.
Nas madrugadas em que todos os fantasmas de um passado de abandono reerguem-se, feito borrasca espalhada por um céu de estanho, o conforto do Amor é jeito delicado de dar à luz um filho. Aquecer-lhe a alma em retalhos com as colchas que, vezes tantas, também nos faltam é parto. Fazê-lo comer – ao invés de esculpir com o garfo – o purê de batatas também.
Uma mulher torna-se mãe, quando faz o melhor que pode, mesmo quando o que lhe foi imposto como dívida impagável por sua condição de fêmea grita-lhe que o seu melhor nunca será o suficiente. Quisera ela ter respostas para tudo o que não faz sentido, mas lhe golpeia a alma em perguntas desenfreadas! O menino esmolando no estacionamento. A vida. A morte. O mundo, gigante terrível, que aprisiona crianças em abrigos cheios de portas trancadas. As janelas com grades. Quisera ela explicar as grades e as trancas! A fome. O bicho-homem. A estranha matemática do Existir cujos cálculos não fecham: sobram filhos. Faltam pais. Quisera ela o remédio para a traiçoeira dor que, vez ou outra, retorna por alguma brecha oculta na alma de sua criança marcada por longos anos de falta e espera!
Uma mulher torna-se mãe, quando aprende a dessaber e, do cimo de sua insapiência, aceita ajuda para o que não sabe ou não cabe. Dividir é maneira amorosa de transbordar. Um filho nasce também de olhares alheios. De cuidados outros. De mãos e mães diversas que pavimentam, em seus caminhos de medo, atalhos trafegáveis.
Uma mulher torna-se mãe, quando se rende: a doença do mundo existe. Indesmentível. O reconhecimento é o primeiro passo para não se contaminar. Uma mulher torna-se mãe quando se rende: o Amor existe. Indesmentível. O reconhecimento é o primeiro passo para amar.
No corre-corre doentio do mundo, filho é o Amor feito espanto. Nasce todos os dias de partos-relâmpagos, sob o altíssimo risco de sequer notarmos o Milagre que é, pela milésima primeira vez, aninhar ao peito esse Alguém que nunca se conclui; mas que, entre sístoles e diástoles de Beleza, acontece. E, em detalhes de finos êxtases que só podem ser vistos a coração nu, nos traz também à luz.



Apadrinhamento Afetivo entenda como funciona.



Apadrinhamento afetivo de crianças e adolescentes: entenda como funciona


 O programa especial do CNJ Responde, do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), entrevista nesta semana a psicóloga Maria da Penha Oliveira. Ela é coordenadora do programa de apadrinhamento afetivo da ONG Aconchego, em Brasília, pioneiro no Brasil. Além disso, Penha é consultora para o Programa Matriz de Formação, uma parceria da ONG com a Secretaria de Direitos Humanos, cujo foco é a preparação para adoção e apadrinhamento afetivo.

O apadrinhamento afetivo é um programa voltado para crianças e adolescentes que vivem em situação de acolhimento ou em famílias acolhedoras, com o objetivo de promover vínculos afetivos seguros e duradouros entre eles e pessoas da comunidade que se dispõem a ser padrinhos e madrinhas. Na entrevista, Penha explica quem pode apadrinhar, quais as responsabilidades dos padrinhos e madrinhas, os limites da convivência e como se dá este vínculo tão importante para a vida da criança. Assista aqui o vídeo.

De 2013 até 2015, a ONG Aconchego capacitou 43 padrinhos e madrinhas em Brasília, dos quais apenas 13 estão exercendo a atividade, que consiste em visitas quinzenais à criança, auxílio emocional, orientação vocacional, dentre muitas outras possibilidades de convivência. Ao contrário do que muitas vezes se pensa, ser padrinho ou madrinha exige muita responsabilidade e comprometimento para manter o vínculo com crianças que já sofreram uma vez o afastamento de suas famílias de origem. Esse é um dos motivos de muitas pessoas fazerem o curso e acabarem desistindo no final.

As crianças aptas a serem apadrinhadas têm, quase sempre, mais de dez anos, e, portanto, chances remotas de adoção. Na entrevista, Penha esclarece alguns mitos em torno do apadrinhamento, como o de que a criança ficará frustrada por não ser adotada pelo padrinho, ou ainda de que o apadrinhamento consistiria em uma ajuda financeira.

“A pessoa se tornará uma referência na vida da criança, mas não recebe a guarda. O guardião continua sendo a instituição de acolhimento”, afirmou. Segundo ela, para que ocorram as saídas de fim de semana, os técnicos do abrigo vistoriam antes se a casa do padrinho é um ambiente familiar seguro, bem inserido socialmente. Para viagens e férias, é preciso a autorização da vara de infância. “Precisa ter responsabilidade. A criança que não teve vínculos precisa de previsibilidade, constância, não alguém que só apareça no Natal ou no Dia das Crianças”, afirmou.

Maria da Penha ressalta que é fundamental que as instituições de acolhimento conheçam muito bem o programa e se capacitem para implantá-lo. “É um mito achar que o apadrinhamento cria a confusão na cabeça da criança ou que gera uma expectativa de adoção. Essas crianças sabem que as chances de adoção são remotas, e que eles têm que se cuidar para sua própria vida. Podem aprender com o padrinho como funciona uma família para construir a sua um dia. A gente orienta que os padrinhos não façam só programas de lazer, mas que deixem essas crianças participarem da rotina real das famílias, como ir ao supermercado, lavar o carro, etc”, ressaltou.

Ela observa que o aprendizado é efetivado a partir de vínculos. “E quando não se tem o vínculo social, vai dificultando a vida escolar. A maioria dos acolhidos tem um nível baixo de escolaridade, e o padrinho e a madrinha não podem ser mais um. Vão fazer a diferença na vida dele, não são mais um 'tio' que está ajudando a cuidar.”



Fonte: Luíza de Carvalho Fariello
Agência CNJ de Notícias.

Filhos são feitos de sonhos!



A infância tem o seu próprio ritmo, a sua própria maneira de sentir, ver e pensar. Poucas pretensões podem ser tão erradas como tentar substituí-la pela forma como nos sentimos, vemos ou pensamos, porque as crianças nunca serão cópias dos seus pais. As crianças são filhas do mundo e são feitas de sonhos, esperanças e ilusões que se acumulam nas suas mentes livres e privilegiadas.

Há alguns meses saiu uma notícia que nos desconcerta e nos convida a refletir. No Reino Unido, muitas famílias preparam as suas crianças de 5 anos para que aos 6 possam fazer um teste, que lhes permite ter acesso às melhores escolas. Um suposto “futuro promissor” pode causar a perda da infância.

De que adianta uma criança saber os nomes das luas de Saturno, se não sabem como lidar com a sua tristeza ou raiva? Eduquemos crianças sábias nas emoções, crianças cheias de sonhos, e não de medos.

Hoje em dia, muitos pais continuam com a ideia de “acelerar” as habilidades de seus filhos, de estimulá-los cognitivamente, colocá-los para dormir ao som de Mozart enquanto ainda estão no útero. Pode ser que essa necessidade de criar filhos aptos para o mundo esteja a educar filhos aptos apenas para si mesmos. Criaturas que com apenas 5 ou 6 anos sofrem o stress de um adulto.

Os nossos filhos e a competitividade do ambiente

Todos sabemos que nas sociedades em mudança e competitivas são necessárias pessoas capazes de se adaptarem a todas as exigências. Também não temos dúvidas de que crianças britânicas que conseguem entrar nas melhores escolas, conseguirão amanhã um bom trabalho. No entanto, também é necessário perguntar …

Terá valido a pena todo o custo emocional? O perder a infância? O seguir as orientações de seus pais desde os 5 anos?

As crianças são feitas de sonhos e devem ser tratadas com cuidado. Se lhes dermos obrigações de adultos enquanto ainda são apenas crianças, arrancamos-lhes as asas, fazendo-as perderem a sua infância.

Respeitar o tempo, o afeto e os sonhos

A nossa obrigação mais importante é dar às crianças um “raio de luz”, para depois seguirmos o nosso caminho. – Maria Montessori

A curiosidade é a maior motivação do cérebro de uma criança, por conseguinte, é conveniente que os pais e educadores sejam facilitadores de aprendizagem, e não agentes de pressão. Vejamos agora abordagens interessantes sobre a  parentalidade que respeita os ciclos naturais da criança e suas necessidades.

Pais sem pressa – Slow Parenting

O “Slow Parenting” (pais sem pressa) é um verdadeiro reflexo dessa corrente social e filosófica que nos convida a desacelerar, a sermos mais conscientes do que nos rodeia. Portanto, no que se refere à criança, promovemos um modelo mais simplificado, de paciência, com respeito aos ritmos da criança em cada fase de desenvolvimento.

Os eixos básicos que definem o Slow Parenting serão:

A necessidade básica de uma criança é brincar e descobrir o mundo;
Nós não somos “amigos” de nossos filhos, somos suas mães e pais. Nosso dever é amá-los, orientá-los, ser seu exemplo e facilitar a maturidade sem pressão;
Lembre-se sempre de que “menos é mais”. Que a criatividade é a arma dos filhos, um lápis, papel e um campo têm mais poder do que um telefone ou um computador;
Compartilhe tempo com seus filhos em espaços tranquilos.
Parentalidade respeitadora / consciente

Embora o mais conhecido desta abordagem seja o uso de reforço positivo sobre a punição, este estilo educativo inclui muitas outras dimensões que valem a pena conhecer.

Devemos educar sem gritar.
O uso de recompensas nem sempre é apropriado: corremos o risco de nossos filhos se acostumarem a esperar sempre recompensas, sem entenderem os benefícios intrínsecos do esforço, realização pessoal.
Dizer “não” e estabelecer limites não vai gerar nenhum trauma, é necessário.
O forte uso da comunicação, escuta e paciência. Uma criança que se sente cuidada e valorizada é alguém que se sente livre para manter os sonhos da infância e moldá-los até a idade adulta.
Respeitemos a sua infância, respeitemos essa etapa que oferece raízes às suas esperanças e asas às suas expectativas.

Fonte:
http://www.psicologiasdobrasil.com.br/trate-os-seus-filhos-com-cuidado-porque-sao-feitos-de-sonhos/

Conscientização muda perfil da adoção!


Dados do CNJ mostram que número de aspirantes a pais que só aceitam crianças brancas caiu no Brasil
O perfil da adoção vem mudando no Brasil. Até pouco tempo atrás, ao preencherem o Cadastro de Pretendentes para Adoção, a maioria dos candidatos a pais adotivos faziam questão de bebês de pele clara. Nos últimos anos, porém, essa exigência vem sendo deixada de lado e o número de pretendentes à adoção que aceitam crianças negras e pardas cresceu. Dados do Cadastro Nacional de Adoção (CNA), da Corregedoria Nacional de Justiça, apontam que o número de aspirantes a pais que só aceitam crianças brancas caiu de 38,73% em 2010 para 22,56% neste ano. Já o número de candidatos que aceitam crianças negras subiu de 30,59% para 46,7% e os que aceitam crianças pardas cresceu de 58,58% para 75,03% no mesmo período.

O Paraná, de acordo com dados do CNA,é o terceiro estado brasileiro onde mais se adotou negros e pardos entre 2008 e 2016, com um total de 307 adoções. O Estado só fica atrás de São Paulo, com 413 crianças negras e pardas adotadas no período, e Pernambuco, com 333.

Advogada e presidente da Comissão de Adoção do Instituto Brasileiro de Direito da Família, Silvana do Monte Moreira atribui a mudança no perfil ao trabalho de adoção inter-racial feito há mais de 20 anos pela Associação Nacional dos Grupos de Apoio à Adoção. Hoje, no Brasil, são 136 grupos. "Por meio do trabalho desses grupos, as pessoas passaram a entender que o filho não é escolhido, o filho chega, assim como chega o filho biológico. E ele pode chegar branco, pardo, negro. A gente trabalha muito essa inclusão porque a adoção visa oferecer famílias para as crianças que não têm e não oferecer filhos para aquelas famílias que por um motivo ou por outro ainda não puderam gerar ou perderam."

Silvana Moreira diz que o desafio atual é estimular a adoção de grupos de irmãos e de crianças com problemas de saúde. "Hoje, não é mais necessário trabalhar a inclusão de crianças negras porque nós já temos pessoas habilitadas em número suficiente buscando um bebê negro, uma criança negra até 5 anos de idade."

REALIDADE
"Existe a criança idealizada, mas a realidade dos abrigos é diferente. A criança branca, sem nenhuma doença, de até um ano de idade, existe, mas é muito rara", destacou a juíza substituta da 1ª Vara da Infância e Juventude de Londrina, Isabele Papafanurakis Ferreira Noronha. A divergência entre o perfil desejado pelos candidatos a pais adotivos e a realidade dos abrigos é a razão pela qual a fila da adoção nunca chega ao fim. Nos abrigos de Londrina, existem atualmente 87 crianças e adolescentes à espera de uma família e 200 casais habilitados. A maioria dos abrigados tem mais de 5 anos de idade ou são grupos de irmãos. "O número não bate porque as pessoas que querem, querem crianças diferentes daquelas que precisam de um pai e de uma mãe. A gente tenta sensibilizar os casais a mudarem o perfil, mostrando a realidade das crianças que estão disponíveis para adoção."

Apesar de os pretendente estarem mais flexíveis, a juíza afirma que a grande maioria dos casais ainda desenha um perfil muito restrito, no qual destacam a preferência por crianças de zero a 1 ano de idade. "A maioria ainda quer um perfil bem limitado de criança, com no máximo 3, 4 anos, pele clara, sem doença ou com doença tratável. Isso não significa que não houve uma melhora, porque hoje temos casais que se habilitam, aceitando grupos de irmãos, crianças maiores de 8, 9, 10 anos."

Durante o processo de habilitação, os candidatos a pais passam por curso e são convidados a visitar a realidade do acolhimento. "O casal tem o direito de chegar aqui e dizer que quer um recém-nascido ou uma criança de até 1 ano, mas ele vai ter consciência de que o período de gestação dessa adoção vai ser muito maior. Para esses casais que querem esse perfil de criança, o tempo de espera tem sido de oito anos. Agora, casais que aceitam crianças de até 4 anos, independente da cor, já diminui pela metade o tempo de espera. E para crianças acima dos 10 anos, você praticamente habilita e o casal já é pai e mãe", explica a juíza.

Entre os 200 habilitados que aguardam por uma adoção em Londrina, o casal que espera há mais tempo está na fila desde 2009 em razão do perfil restrito, que estabelece uma criança de até 6 meses de idade.

"As exigências dos pais mudam bastante durante o período de conversa. A questão da cor já está bem decidida, já está ficando para trás. A barreira maior hoje é a questão da idade, da doença e encontrar pessoas que aceitam adotar grupos de irmãos", disse o presidente do grupo de apoio Trilhas do Afeto, de Londrina, José Wilson de Souza.



Fonte: Folha de Londrina.

Cadastro Nacional muda para adoção!


Cadastro Nacional muda para tornar adoção menos burocrática.

Com 33.375 mil famílias habilitadas e 5.502 crianças disponíveis, a conta ainda não fecha. Desse total de famílias, cerca de 70% têm preferência por crianças entre 0 e 3 anos e 26% só aceitam crianças brancas.

Cibele e sua filha adotada, Rafaela
Fosse levada em conta apenas a frieza dos números, o Brasil tinha tudo para se tornar um paraíso, no qual não haveria crianças abandonadas, dormindo e esmolando nas ruas. Nesse paraíso, todos os meninos e meninas brasileiras teriam uma família que os acolhesse. Criado para agilizar e auxiliar os juízes das Varas da Infância e da Juventude, na condução dos processos de adoção em todo o país, o Cadastro Nacional de Adoção (CNA), atualmente, conta uma lista de 5.502 crianças que esperam por uma família, contra 33.375 mil famílias que aguardam pela adoção. Se a demanda das famílias é assim tão maior que o número de crianças esperando adoção, por que, então  o problema persiste? Infelizmente, o que se constata é que as famílias idealizam um perfil para as crianças que querem adotar que não corresponde à realidade.

Para a psicóloga e mãe adotiva Cibele Pacheco da Silva, 38 anos, esses dados são resultados dessa idealização que as famílias criam sobre a criança sonhada. “Na fase do curso de preparação é que a gente vai determinando o perfil da criança desejada. É quase que um check-list com perguntas como idade pretendida, preferência de sexo, preferência de cor de pele e uma infinidade de detalhes que devemos manifestar sobre nossas preferências, até que se feche o perfil”.

De acordo com o cadastro, 26% das famílias querem crianças brancas. E 79% só querem adotar uma criança: não aceitam adotar irmãos
Desse número geral das famílias do cadastro, 26% preferem crianças de cor branca, contra 1,72% que só aceitam crianças negras. Cerca de 79% das famílias querem apenas uma criança, ou seja, caso a criança tenha irmãos, essas famílias não estão disponíveis a receber mais de uma criança. É aí que surge outra dificuldade, porque, segundo o ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente), os grupos de irmãos não podem ser separados. Para a supervisora substituta da área de adoção da Vara da Infância e da Juventude do Distrito Federal, Niva Campos, as restrições impostas pelas famílias é o maior dificultador do processo.

“Restrições como idade e crianças com irmãos são algumas das dificuldades. Além das crianças com algum problema de saúde. A maior parte do nosso cadastro tem disponibilidade para adotar apenas uma criança e algumas têm irmãos que prezamos pela não separação”, explicou Niva. De acordo com ela, uma família com disponibilidade para receber, por exemplo, três crianças, é rara no cadastro. “Esses descompassos é que acabam dificultando a adoção”.

Após sete anos da criação do CNA (Cadastro Nacional de Adoção), os avanços foram muitos, mas as disparidades ainda mostram o quanto a maioria das famílias que deseja adotar uma criança idealiza uma criança dos sonhos, deixando de lado a realidade dos meninos e meninas que aguardam por uma família.

A idealização das crianças é um problemas, mas os responsáveis pelo sistema de adoção reconhecem que há muita burocracia e falta de agilidade no processo. Um problema que, segundo a corregedora do CNJ (Conselho Nacional de Justiça), Nancy Andrighi, vem sendo enfrentado. Ela informou ao Fato Online que um novo sistema do Cadastro Nacional começou a ser implantado no último mês, com o objetivo de facilitar e agilizar o trabalho dos magistrados da Infância e da Juventude. “O novo CNA tem agora um sistema de cruzamento de dados mais efetivo e proativo, localizando perfis afins de crianças e pretendentes, inclusive fora da comarca onde estão cadastrados”, o que poderá facilitar esse encontro entre a criança com o perfil traçado pelas famílias habilitadas.


Sistema de alertas

No último mês foi criado um “sistema de alertas” que permite que o juiz seja automaticamente informado, assim que uma criança é cadastrada, sobre a existência de pretendentes interessados naquele perfil. “Simultaneamente, o juiz que cadastrou aquele pretendente é informado, via e-mail, que uma criança com aquele perfil desejado ingressou no sistema. Assim, os magistrados podem iniciar os procedimentos relativos à adoção imediatamente”, explicou a corregedora.

De acordo com Nancy, as últimas inovações no cadastro diminuem o trâmite burocrático, já que a automação do sistema permite que tanto os magistrados que cadastraram as crianças quanto aqueles que cadastraram os pretendentes sejam informados simultaneamente sobre a existências de perfis afins, podendo, assim, dar mais rapidamente início ao processo de adoção.

Entre 2008 e 2015, foram 4.032 registros de adoções realizadas no âmbito do CNA - com crianças e pretendentes cadastrados, sendo que alguns dos registros contemplam mais de uma criança quando se trata da adoção de irmãos. Além destes, foram efetivados mais 4.359 registros de adoções de crianças cadastradas no CNA, mas com pretendentes de fora do cadastro. Neste último caso, geralmente são crianças que não estão no perfil das famílias cadastradas.

A maior parte dos habilitados que compõe os números do cadastro, 14.976, está na região Sudeste. Dessas pessoas, cerca de 24% só querem crianças brancas, contra 2,48% que optaram pela exigência de criança negra. A região Sul é a segunda maior composição dos números, com 11.751 pessoas na lista, que anseiam pela adoção de uma criança. No entanto, entre os sulistas, a preferência por crianças de cor branca é maior: cerca de 38% desse número. E é o menor percentual entre os que aceitam somente crianças negras: 0,98%.

Das crianças

Das 5.502 crianças e adolescentes que compõe o cadastro, 1.773 são da cor branca, 981 de cor negra, 19 amarela, 2.704 pardas e 30 indígenas. Desse número, 77% possuem irmãos. Além de 1.257 crianças que têm algum problema de saúde, outra realidade dura realidade rejeitada pela maioria do cadastro. Destas crianças com problema de saúde, 438 são portadoras de doenças tratáveis e 159 de doenças não-tratáveis, 211 possuem alguma deficiência física, 465 têm deficiência mental e 89 são portadores de HIV.

Dos atuais 33.375 pretendentes à adoção no CNA, somente 2.617 não fazem nenhuma restrição em relação à criança ser portadora de alguma doença ou deficiência, no entanto, outras restrições são realizadas inviabilizando o fechamento da conta entre famílias e crianças que esperam por adoção.

Entre o total de crianças e adolescentes, 2.407 são do sexo feminino e 3.095 do sexo masculino. Entre a preferência da lista dos que aguardam uma menina estão 10.275, contra 3.213 que preferem menino. Apesar disso, é importante lembrar que, ainda que pareça uma conta fácil de fechar, a maioria das crianças não se enquadram em alguma parte do perfil traçado pelas famílias.

Realidade

Há cerca de seis meses, a psicóloga Cibele conseguiu a guarda de Rafaela, 5 anos. No entanto, não foi pela Vara da Infância de Brasília, onde mora, mas por Goiânia. A história da Cibele é longa. Por conta de uma menopausa precoce, ela não pôde ter filhos biológicos. Desde o início de 2012 que deu entrada no processo, mas só conseguiu entrar na fila há cerca de um ano.

De acordo com ela, a conciliação do seu trabalho com o curso de preparação não estava dando certo. “Na minha época, eram poucas turmas, com quatro encontros em horários estabelecidos pela própria Vara.  Isso já é uma coisa que dificulta um pouco, porque muitas vezes não dá para conciliar com trabalho, estudo”.

Sua posição inicial, na fila de habilitados, era a de 375, logo caiu para 350 e deu uma estagnada. Apesar de já estar com a Rafaela, ela ainda aguarda por mais uma criança. “Eles nos explicaram que se quiséssemos adolescentes era quase que imediato, porque não era o perfil solicitado pelas famílias”, disse. Isso porque, hoje, em Brasília, existem cerca de 88 crianças cadastradas no processo de adoção e dessas, 32 são menores de 12 anos e 56 adolescentes (acima de 12 anos). No cadastro da capital, nenhuma família habilitada está disponível para adotar adolescentes.

O caso da adoção da Rafaela foi paralelo ao processo de Brasília. Rafaela tinha um irmão que, em caso raro, foi separado para outra família. “Ela acabou chegando para a gente porque conhecemos as pessoas que trabalhavam com eles (os irmãos), que conheceram nossa história e nos apresentaram à juíza. Nós já estávamos no cadastro, fizemos tudo de forma legal e dentro de todo o processo ganhamos a guarda com vias de adoção”.

Para Cibele, após a decisão de adotar uma criança foram em busca de histórias e se apaixonaram pelo que ouviram. “Não tem como não se encantar e se apaixonar, porque são filhos que nascem do amor. A adoção é um ato de amor. Muitas pessoas pensam que é um ato de caridade, mas não é. Você não está fazendo pelo outro uma coisa que é boa só para ele. Adotar alguém é dizer para o outro: ‘Olha eu não consigo mais viver sem você’.

Ela explicou que o sentimento na adoção é inverso. “A diferença é que na gestação biológica a situação acontece dentro do corpo. Para uma mãe adotiva, acontece fora. Não é um filho que vai sair de você. Ao contrário, é um filho que está entrando. A cada dia ele entra e vai ocupando o espaço dele. Entender esse processo de adoção é importante.

Instituições de acolhimento

De acordo com ela, um problema que deve ser sanado é o tempo em que as crianças vivem nas instituições de acolhimento, até que estejam disponíveis para adoção. A burocracia com a nova lei dificultou esse trâmite. De acordo com a supervisora da Vara da Infância do DF, entre as crianças que vivem nas instituições, apenas cerca de 10% estão disponíveis para adoção. As outras estão em situações temporárias de conflitos familiares e outras estão em processo de busca por um parente que as queiram.

“Na parte de lei, a gente teria que conseguir uma forma de fazer esse processo bastante efetivo, claro que cuidadoso, responsável, mas de uma forma mais rápida. Às vezes você pega história de crianças que ficam lá três, quatro e até cinco anos no abrigo, quando na verdade ela já podia estar em uma família”, explicou Cibele, referindo-se a Lei de Adoção, que, para ela, coloca a família adotiva na última opção do estado e justifica a lotação nos abrigos, que estão cheios, mas muitas crianças não estão disponíveis à adoção.

O preconceito

Para a psicóloga, algumas pessoas têm receio de falar que o filho é adotado. “Existe um preconceito ainda. Quando eu disse às pessoas que eu ia adotar, ouvi comentários do tipo: ‘Cuidado hein, porque filho adotado mata os pais’. Não é assim. A gente vê na mídia notícias de filhos biológicos também, como a própria Suzane”.

Para ela, a coisa piora quando se trata de adoção de adolescentes. “Logo, as pessoas dizem: ‘Você vai pegar uma criança maior? E como fica a história dela?’. A história dela, todo mundo tem a sua. Eu acho que você trabalhar a ideia de que o convívio, de que o afeto realmente é capaz de produzir vínculo, é a coisa mais importante”.

"É preciso desmistificar a história de que o hereditário é mais importante que o convívio. Família não é um título. É uma convivência"
Cibele, mãe de Rafaela, criança adotada

Como psicóloga, Cibele diz que a questão da hereditariedade precisa ser enfrentada pelas famílias. “É preciso desmistificar essa história de que o hereditário é mais importante do que o convívio, do que o afeto, do que a coisa chamada família. Família não é um título. É uma convivência, é uma vontade de estar junto, de fazer bem ao outro”.

A expectativa da fila

Para Adriana de Oliveira Assis, 45 anos, que aguarda na fila de habilitados da Vara da Infância e Juventude do Distrito Federal, essa realidade do perfil escolhido pelas famílias existe e é justificada pela questão da aceitação dessa criança no novo lar. “A família precisa estar preparada para receber a criança. Não adianta colocar uma criança fora do perfil desejado, pois essa criança pode não ser aceita, assim como a família pode não ser bem recebida pela criança. São relações delicadas”, disse Adriana.

Na fila há dois anos e oito meses, Adriana acredita que a justiça é ágil, mas o perfil pretendido dificulta. Em um consenso entre ela e o marido, eles decidiram que a criança pretendida teria que ter no máximo três anos. “Eu gostaria de ter uma criança acima de três anos, pois já convivi com essa realidade dos abrigos, mas meu marido acredita que é mais fácil estreitar os vínculos familiares com uma criança menor, além da questão de ter de lidar com as histórias difíceis e de dor que elas carregam”, justifica.

De acordo com o Cadastro Nacional de Adoção, cerca de 70% das famílias habilitadas tem preferência por crianças entre 0 e 3 anos. Entre as crianças, apenas 216 estão nessa faixa etária.

Fonte: fatoonline.com.br


A adoção consensual agora faz parte da norma jurídica.




ATENÇÃO:

A adoção consensual agora faz parte da norma jurídica.A adoção consensual agora faz parte da norma jurídica.

No dia 18 de março de 2016, o novo Código de Processo Civil (CPC) passou a vigorar e com ele trouxe a ADOÇÃO CONSENSUAL como norma a ser obedecida pelos Tribunais.
O novo CPC estabelece de forma expressa, em seu artigo 926, que “os tribunais devem uniformizar sua jurisprudência e mantê-la estável, íntegra e coerente”. Ou seja, os tribunais não devem permitir divergências internas sobre questões jurídicas idênticas, como se cada magistrado ou turma julgadora não fizesse parte de um sistema.

“Com o novo código, o STJ continuará desempenhando essa relevante tarefa unificadora. Entretanto, sua jurisprudência ganhará em importância, pois passará a balizar, de forma vinculante, a atuação dos juízes e tribunais (artigo 927), notadamente por intermédio de suas súmulas e de suas decisões proferidas no âmbito de recursos especiais repetitivos”, assinala o ministro Sérgio Kukina.

Vejamos o entendimento do STJ sobre Adoção Consensual:

A observância do cadastro de adotantes, vale dizer, a preferência das pessoas cronologicamente cadastradas para adotar determinada criança não é absoluta. Excepciona-se tal regramento, em observância ao princípio do melhor interesse do menor, basilar e norteador de todo o sistema protecionista do menor, na hipótese de existir vínculo afetivo entre a criança e o pretendente à adoção, ainda que este não se encontre sequer cadastrado no referido registro; (STJ; REsp 1172067/MG; Rel. Min. Massami Uyeda; DJ: 18/03/2010)

Ou seja, o Juiz Singular, deverá ter o mesmo entendimento do Superior Tribunal de Justiça.

Essa é uma grande vitória!!!

Dúvidas procurem o seu advogado.

Adoção de Davi e da Sara.


Sereno, ativo e vivo!



"Quando há fraternidade, o amor é Sereno;
quando há solidariedade, o amor é Ativo;
e quando há caridade o amor é Vivo"


Juahrez Alves.

Contrariando Estatísticas!





Dona de casa adotou três crianças deficientes.



  • 8.mar.2016 - Otilina Duailibe com o filho adotivo caçula, Samuel
    8.mar.2016 - Otilina Duailibe com o filho adotivo caçula, Samuel
Otilina Duailibe não é uma mãe comum. A piauiense de 60 anos têm cinco filhos: dois de sangue e três de coração. Voluntária no Lar da Criança em Teresina, Otilina doava afeto para crianças abandonadas até que se encantou por três crianças singulares que estavam na instituição, lutou pela adoção legal e hoje dá nome, lar e amor a Mateus, Daniela e Samuel, três crianças com necessidades especiais.


Com hidrocefalia, Mateus foi adotado aos dois anos e hoje é um rapaz de 18. Daniela é portadora da Síndrome de Dandy Walker (malformação cerebral congênita) e foi para a casa de Otilina com quatro anos; hoje tem 17. Samuel, o caçula, tem Síndrome de Down e foi adotado pequenininho, com um ano; atualmente, está com oito. "Eles são maravilhosos", conta a mãe, orgulhosa das crias.

8.mar.2016 - Otilina com os filhos adotivos Daniela, Samuel (centro) e Mateus (dir.)

"Não acredito em coincidências, acho que eu tinha esse encontro marcado, me apaixonei quando fui fazer um trabalho, e hoje vejo que, na realidade, não era bem um trabalho", contou a dona de casa sobre o contato com os filhos ainda no orfanato. 


Otilina contraria o senso comum já que apenas 8% dos pretendentes a adoção no Brasil gostariam de adotar alguma criança com deficiência, segundo dados do Cadastro Nacional de Adoção.


Otilina faz parte deste dado bem pouco expressivo em nosso país com o trio adotivo. Ela tem na ponta da língua e marcado em sua própria vida os preceitos que os pais devem ter ao optar pela adoção de filhos com necessidades especiais: "Amor em abundância, desapego dos paradigmas considerados normais e disposição para se doar".


A vida de Otilina Duailibe teve de mudar para de adaptar ao cuidado dos filhos adotivos. A técnica em enfermagem precisou abdicar do trabalho para ficar mais próxima de Mateus, Daniela e Samuel. Atualmente é sacoleira e arrependimento é uma palavra que não existe em seu cotidiano. "Adotar um deficiente é uma realização sem igual. Só o coração pode definir", explica.

Depósito dos Rejeitados.

Essa música é muito forte, triste realidade das crianças abrigadas.
Parabéns pelo trabalho Carlos Eduardo Taddeo, vamos compartilhar comunidade adoção!