O Amor se constrói através do Respeito!

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Psicólogo Rossandro Klinjey. 
Entrevistado pelo Programa Ideia Livre.

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Dia Mundial da Adoção!



O Dia Mundial da Adoção foi transferido para 15 de novembro.


Vamos Comemorar o Dia Mundial da Adoção: É hora de desenhar um Sorriso!

Esse dia será marcado por uma invasão das “smileys faces” – aquelas carinhas sorridentes – na internet.
 É a marca escolhida para celebrar a campanha do Dia Mundial da Adoção.

A campanha é simples, mas com um objetivo para lá de ambicioso: gerar um mundo sem órfãos.
Para participar basta desenhar a tal carinha sorridente na mão e postar com a hashtag #worldadoptionday. 

Para o Brasil também contar com sua mobilização, ....  #diamundialdaadoção
Vários países,  estão participando segundo a organização.

Compartilhando de World Adoption Day:
 #diamundialdaadoção #worldaadoptionday

Projeto quer acelerar processos de adoção no país.


Debate sobre novas regras de adoção recebe cerca de 800 contribuições
Consulta pública termina nesta sexta; entenda as mudanças propostas.
Associação que reúne grupos de adoção considera processo 'açodado'.


A um dia do fim da consulta pública sobre a revisão nos procedimentos de adoção no país, o Ministério da Justiça e Cidadania contabiliza cerca de 800 contribuições da população em sua plataforma online. A pasta irá analisar as mensagens enviadas antes de finalizar a minuta que irá enviar ao Congresso. A expectativa é que isso ocorra ainda neste ano.
A consulta pública foi aberta por um mês para debater o que pode ser melhorado na legislação atual. Ela será encerrada nesta sexta (4). Já houve, antes disso, discussões com promotores, juízes e especialistas. O projeto de lei elaborado pela pasta tem como objetivo acelerar os processos de adoção no país. Para isso, são propostas alterações especialmente no Estatuto da Criança e do Adolescente. Entre elas estão prazos pré-estabelecidos para o estágio de convivência e para a conclusão da ação de adoção.

Há atualmente 38.072 pretendentes no Cadastro Nacional de Adoção. Na outra ponta, estão 7.158 crianças cadastradas. Além da demora, há outros fatores que fazem com que esse abismo não seja superado, como a exigência de alguns pais em relação ao sexo, à idade e à cor das crianças.
Outro ponto importante diz respeito à destituição do poder familiar. Muitas das crianças em abrigos não estão aptas à adoção por esse motivo. A estimativa é que haja 46 mil crianças em instituições de acolhimento no país. E a demora da Justiça, neste caso, também faz com que as crianças envelheçam e aproximações acabem não ocorrendo.
O projeto do governo estipula prazos hoje não contemplados, regulamenta a função do “padrinho afetivo” e propõe, no fim, uma mudança simbólica do nome de “família substituta” para “família adotiva”.

VEJA O QUE PODE MUDAR:

TEMPO DO PROCESSO
Como é hoje:
A Justiça avalia caso a caso e estipula o tempo que acha necessário para o estágio de convivência, para a guarda provisória e para dar a sentença da adoção em definitivo
O que diz o projeto:
O estágio de convivência terá no máximo 90 dias e poderá ser prorrogado por igual período. Já o prazo máximo para conclusão da ação será de 120 dias, prorrogáveis por igual período.


ENTREGA VOLUNTÁRIA
Como é hoje:
A lei diz que “as gestantes ou mães que manifestem interesse em entregar seus filhos para adoção serão encaminhadas, sem constrangimento, à Justiça da Infância e da Juventude”. Na prática, no entanto, muitas têm medo de fazê-lo, já que muitas vezes são acusadas de crime (abandono de incapaz).

O que diz o projeto:
Ele afirma que, “caso a mãe não indique a paternidade e decida entregar voluntariamente a criança para adoção, ela terá 60 dias a partir do aconselhamento institucional para reclamá-la ou indicar pessoa da família extensa como guardião ou adotante”. Terminado esse prazo, a destituição do poder familiar será imediata e a criança será colocada para adoção.


APADRINHAMENTO
Como é hoje:
Não existe na lei a regulamentação do apadrinhamento, mas há projetos sendo realizados em várias partes do país.

O que diz o projeto:
Ele define o papel do padrinho como aquele que “estabelece e proporciona aos afilhados vínculos externos à instituição, tais como visitas, passeios nos fins de semana, comemoração de aniversários ou datas especiais, além de prestar assistência moral, afetiva, física e educacional ao afilhado, ou, quando possível, colaborar na qualificação pessoal e profissional, por meio de cursos profissionalizantes, estágios em instituições, reforço escolar, prática de esportes entre outros”. Os padrinhos têm de ter no mínimo 18 anos e uma diferença de idade de ao menos dez para a criança ou para o adolescente.


ADOÇÃO INTERNACIONAL
Como é hoje:
O prazo mínimo para o estágio de convivência é de 30 dias. Não há menção a limite máximo.

O que diz o projeto:
O estágio de convivência deverá ser de no mínimo 15 e no máximo 45 dias.


Assista ao vídeo da reportagem no link abaixo:
  

Faça a sua parte!


“E se eu passar dos 12 anos e não for adotado?”



Como fica o adolescente que não pode retornar para seus familiares e não há possibilidade de adoção em função da idade ou de sua resistência a nova família candidata a adotá-lo?

O que as instituições de acolhimento (suas equipes, coordenadores, cuidadores e diversos outros atores) fazem para que esses adolescentes possam sair da Instituição e estarem em condição de enfrentar a vida sem nenhum suporte (uma referência no caso de ficar doente, uma casa para passar o natal)?

Soube que há poucos anos, numa cidade do Sudeste, alguns adolescentes saíram de um Abrigo com 18 anos e foram morar num prédio abandonado. Eles tiveram cama, alimentação, roupa lavada, cuidados diversos até os 17 anos e 11 meses e depois foram para rua sem nada. O que você faria para sobreviver estando nessa condição? O que deveríamos fazer para que histórias assim não se repitam?

Em primeiro lugar, essas instituições (antigamente chamadas de orfanatos) precisam se organizar, planejar pelo menos como serão os 4 últimos anos dos adolescentes acolhidos antes de se completar a maioridade. Os projetos de “preparação para a saída dos adolescentes acolhidos” deve ter o TOTAL apoio financeiro da Prefeitura para educar de “verdade” esses jovens. Se elas e eles apresentam uma baixa autoestima, baixa escolaridade, nenhum curso profissionalizante, como poderão encontrar um trabalho? Mesmo que exista somente uma tia distante que aceita receber o adolescente um dia do mês para visita, que a instituição o leve até lá. É um laço que fará falta no futuro.

Participei de uma audiência que alguns tios foram tão pressionados e tão invadidos na sua privacidade por diversas equipes profissionais que se sentiram acuados e se afastaram do sobrinho que estava acolhido. O excesso de visitas domiciliares por assistentes sociais, psicólogos e outros profissionais da instituição também podem prejudicar a reaproximação familiar, assim como o contrário também pode prejudicar a construção do afeto. Nesse trabalho todo cuidado é pouco, pois são vidas feridas pelo abandono (ou violência) dos pais.

Defendo ainda os projetos de colocação no mercado laboral a partir dos 14 anos, o chamado“Jovem Aprendiz”. A prefeitura de Rio das Flores (RJ) implantou este projeto há alguns anos e além de qualificar o adolescente “acolhido”, este guardará 80% do salário e sairá aos 18 anos com uma poupança e com um currículo iniciado. Futuramente, a prefeitura de Valença (RJ) também implantará o mesmo projeto. É um caminho!

Participei de uma audiência concentrada na cidade do Carmo (RJ) – estas acontecem duas vezes ao ano no Estado do Rio de Janeiro, abril e outubro, para se avaliar a situação de cada criança e adolescente institucionalizado. Então, observou-se que alguns adolescentes sairiam da instituição de acolhimento porque haviam completado 18 anos. Como não estavam trabalhando, promotora e juiz acordaram que a Prefeitura pagaria um aluguel para os mesmos, até que eles estivessem empregados.

Acredito que respostas exitosas possam aparecer para as indagações iniciais do presente texto, entretanto são necessários autoridades e profissionais comprometidos com a causa da infância.

No ano passado participei de um processo onde dois adolescentes cometeram um ato infracional e, ao invés de puni-los com medida extrema (internação), promotora e juiz decidiram transferi-los para outras instituições. Nestes Abrigos eles foram tratados sem rótulos e individualmente, os resultados positivos foram impressionantes. Um deles retornou ao Abrigo de origem e sempre se refere com saudade da outra instituição onde recebeu um olhar diferenciado, especial. O segundo adolescente, continua na instituição para onde foi encaminhado e lá está inserido em diversas atividades, inclusive há dois meses está exercendo uma função remunerada na Prefeitura.

Vale destacar, que esses jovens apresentam altos e baixos porque possuem uma história difícil de sofrimento – desamparo dos próprios familiares. Talvez se tornariam mais revoltados se tivessem sido “punidos” com medida de internação. Ter saído de sua cidade já foi um limite importante, não faltou à intervenção da justiça.

É lamentável quando os cuidadores e coordenadores das instituições de acolhimento se queixam com frequência do comportamento dos acolhidos, alguns dizem que eles deveriam ser mais “obedientes” e “calmos”. Esses funcionários deveriam ser mais preparados para a função e também deveriam receber salários mais justos. O treinamento constante dos cuidadores também seria essencial, eles não podem e nem devem “proteger” os mais “tranquilos” e “perseguir” os mais “revoltados” e estigmatizá-los.

É claro que as crianças necessitam seguir as regras e uma rotina organizada, isso também é fundamental para educação dos mesmos.Mas eles chegam de lares que não havia horário para nada, sendo difícil se adaptar a uma instituição com várias regras.

Outro adolescente, muito inteligente, teve oportunidade de ser adotado, mas não se adaptou. Ele diz que possui o desejo de voltar a conviver com o pai e fala com muita propriedade dos seus direitos. O genitor passou por muitos reveses e por isso perdeu a guarda dos filhos. Mas J. (13 anos) não perdeu as esperanças, ele ainda acredita que poderá um dia morar com o seu pai.

Recentemente, J. cometeu um ato infracional. Promotora e juiz decidiram colocá-lo numa instituição fechada, ele cumpriria a medida de internação. No domingo, o juiz da comarca decidiu visitá-lo na Delegacia; ele estava aguardando a transferência e seria levado na segunda-feira para um local destinado aos adolescentes infratores. Nesta visita o juiz decidiu dar-lhe mais uma chance. Com a concordância da promotora, o adolescente foi para uma Instituição de Acolhimento que tem sido um modelo de qualidade no atendimento na região.

Então, na nova instituição, J. foi entrevistado para um concurso, gostaram do que ele falou e, em breve, será premiado. Na entrevista o adolescente conta que quer mudar de rumo, “quer ser um homem responsável com suas obrigações”, que deseja – quando for adulto – ser um pai dedicado, um pai diferente que o seu conseguiu ser. Contou, determinado, que decidiu estudar para ser juiz.

J. viu no juiz que foi visitá-lo um modelo, alguém que vale a pena “copiar”. O magistrado o escutou, olhou para ele, demonstrou preocupação sincera pela sua história de vida e lhe deu outra oportunidade.

Em breve, entrevistaremos J. e deixaremos ele mesmo contar para vocês sua experiência. Aguardem!

Pai incentiva filha a repetir frases de empoderamento!



Empoderar os filhos é uma atitude que todos os pais deveriam ter, desde os primeiros anos da criança. E isso pode ser mais simples do que nós imaginamos. Basta uma conversa sobre autoestima e também sobre respeito ao próximo, independente da sua classe social, raça, gênero, sexualidade.
É o que faz um pai em um vídeo que viralizou nas redes sociais. No vídeo, o pai de uma menina que aparenta ter 4, 5 aninhos pede para a filha repetir frases de empoderamento na frente do espelho (“Eu sou linda!”, “Eu me respeito!”), olhando em seus olhos, para que ela absorva lições importantes para crescer feliz e sabendo o quanto ela é especial.
A menina parece entender o sentido de cada frase falada pelo pai. Ela não repete da boca para fora, mas absorve e interioriza o que elas querem dizer. O ator Lázaro Ramos, marido da atriz Taís Araújo, duas figuras importantes na luta contra o racismo e o empoderamento das pessoas negras no Brasil, compartilhou o vídeo em sua página no Facebook. O post já alcançou a marca de mais de 34 mil compartilhamentos e 19 mil reações.
“Olha que relação bonita desse pai com sua filha. Vamos aproveitar que estamos curtindo o fim de semana em casa, alguns não estão trabalhando, pegue seu filho e trabalhe a autoestima, coragem e dedicação para realizar os objetivos dele”, escreveu o ator.

Sou um pai realizado com a chegada do quarto filho adotivo!


Luiz Fernando

Pai do Luiz Guilherme, Ana Luiza, Ana Clara e Luiz Felipe

♥ “Eu que tenho que agradecê-los, afinal eles fizeram a história ser escrita da maneira que sempre desejei, sem limites e sem barreiras.”


08.08.2016 - Hoje sou um pai realizado com a chegada do quarto filho adotivo, mas qual foi o caminho percorrido até aqui?
Minha esposa Ana Karina já contou um pouco da nossa história sobre as três primeiras adoções, e hoje eu conto o meu lado da história!
Nasci em uma cidade pequena do interior de São Paulo, aonde meus pais vieram de famílias grandes, sendo 15 filhos de cada lado, ou seja, desde criança o desejo de ser pai era imenso, afinal a casa estava sempre cheia, com muita diversão, brincadeiras e bagunça.
Claro que quando crescemos nos tornamos mais racionais, porém, o desejo de ser pai nunca se apagou. Em agosto de 2002, eu e a Ana Karina resolvemos nos casar, após cinco meses de namoro. Nossa principal meta era construir uma família, mas o destino não era tão simples assim.
“Descobrimos que o caminho até a paternidade seria árduo, pois fomos privados da realização natural de nossos sonhos, mas nunca, nunca desistimos.”
Iniciou então nossa jornada, tentamos, gastamos, choramos e nada… Seria hora de desistir? Jamais! Nem passou em minha cabeça, pois a adoção já fazia parte de nossos planos, para nós, não importava o meio de se tornar pai, afinal o pai verdadeiro é aquele que acolhe, que cuida e que ama.
Para minha grande alegria, a vida tomou outro rumo em novembro de 2005 com a chegada do Luiz Guilherme, através da fila de adoção. Foi um sentimento mágico, difícil de expressar em palavras, pois se tornar pai da noite para o dia é algo realmente extraordinário.
Agora sim, posso gritar a pleno pulmões que SOU PAI!
Certo, mas e aquela história de família grande? Minha família era grande e meu desejo era ter mais filhos, então a luta continuou, o que não foi nada fácil, muita burocracia, muita espera, decepções, mas tínhamos que continuar.
Então, em agosto de 2008 chegou minha princesa Ana Luiza, foi aí que senti ter fechado mais um ciclo da vida, afinal tinha um casal de filhos, a configuração ideal para nós!
Agora posso encerrar minha história… Ou não!
“Nossa família estava completa, mas não fechamos a porta de nossos corações.”
Como estávamos de coração aberto, não é que a família cresceu em setembro de 2011 com a chegada da Ana Clara?
Agora sim! Mais completos do que nunca. Meus pais tiveram três filhos, meus irmãos também tiveram três filhos, mas calma aí…não temos que ser iguais, portanto, corações abertos!
A crise chegou. Decidimos economizar, menos passeio, menos diversão, mas tinha algo de sobra, que era o amor de pai.
E no meio da turbulência chegou ele, o caçula, meu pequeno grande homem Luiz Felipe, hoje com um mês de vida. Tornei-me pai novamente aos 40, história essa que minha esposa também relatou, a nossa espera por ele!
Às vezes penso a respeito da história dessas quatro crianças, o que a vida fez para que hoje estivéssemos juntos, o que Deus traçou para nos cruzarmos e o que Ele ainda planeja para nossa família.
“Meus filhos me agradecem pela adoção, mas não, eu que tenho que agradecê-los, afinal eles fizeram a história ser escrita da maneira que sempre desejei e com algo a mais, que é esse amor incondicional, sem limites e sem barreiras.”
Agradeço de coração a esposa maravilhosa que tenho, que me ajuda a ser um pai melhor, mas com quatro anjinhos ao meu lado, essa tarefa se torna muito mais fácil e prazerosa.

Trate os seus filhos como você gostaria de ser tratado.



Apague seus medos, dê nome a essas emoções que eles não sabem expressar, dê a eles o seu tempo de presente, realize seus sonhos e faça com que eles sintam que são as pessoas mais valiosas do mundo.
É curioso como atualmente muitas mães e muitos pais veem a criança com um pouco de medo. Eles leem manuais de educação, procuram estar instruídos nas mais recentes teorias e buscam resposta para cada problema na internet ou com os amigos (que também são pais ou não), conhecidos como verdadeiros gurus em questões parentais. Estes pais se esquecem de ouvir algo muito mais valioso do que tudo isso: seu instinto natural.
Uma criança não quer gritos nem entende nada sobre repreensão. Seu filho merece ser tratado com a arte da escuta, da paciência e da grandeza do afeto. Porque as crianças não precisam ser “domadas”, precisam ser amadas.
O instinto de uma mãe ou a capacidade natural de um pai na hora de intuir as necessidades dos seus próprios filhos é, sem dúvida, a melhor estratégia para educá-los. Os filhos chegam ao mundo com uma bondade inata, por isso merecem ser tratados com respeito para salvaguardar esta nobreza do coração, atendendo com naturalidade e sem medo cada acontecimento que o dia a dia nos traz.

Os filhos devem ser tratados com afeto e sem medos

Existem mães e pais que têm medo de fracassar em seus papéis como progenitoresEles pensam que pode ser uma tragédia não poder dar a eles a melhor festa de aniversário, não encontrar vagas para eles na melhor escola da cidade ou não poder comprar para eles a mesma roupa de marca que seus amiguinhos usam no colégio. Eles aspiram, de algum modo, oferecer aos seus filhos aquilo que eles próprios não tiveram.
É claro que cada um é livre para escolher como educar um filho, mas muitas vezes esquecemos como são as crianças e tudo o que acontece no seu interior. Nos obstinamos em pensar em tudo o que devemos oferecer a eles sem descobrir primeiro do que eles realmente precisam: nós mesmos.
  • Uma criança não é um adulto em miniatura, é uma pessoa que precisa entender o mundo através de você e com a sua ajuda.
  • Uma criança age sempre por necessidades e não por manipulação ou malícia como os adultosTemos que ser intuitivos diante dessas demandas.
  • Uma criança deve, acima de tudo, ser tratada com afeto. Nossos filhos não precisam de roupas de marca ou jogos eletrônicos para brincarem sozinhos. Eles precisam do seu tempo, do seu exemplo, dos seus abraços de boa noite e da sua mão para segurar ao atravessar a rua.

A criação autorregulada: compreender e acompanhar

A criação autorregulada é nutrida diretamente com as teorias do apego formuladas pelo psiquiatra Wilhelm Reich. Atualmente elas voltaram a ser comentadas porque exaltam uma série de conceitos-chave mediante os quais é possível se conectar muito melhor com a infância, com seus tempos, com suas necessidades.

Uma mãe é mais eficaz do que nunca quando confia no seu instinto, quando lê nos olhos do seu filho aquilo que ele realmente precisa.
O interessante desta abordagem é que entende-se a autorregulação como sinônimo de vida, da necessidade de fazer contato pela primeira vez com a nossa própria complexidade pessoal para entender que a criança também tem suas próprias necessidades, seus próprios conflitos gerados, por vezes, por uma sociedade que não compreende a infância e nem a criança.

Chaves para uma criação autorregulada

A criação autorregulada nos diz que uma criança que foi tratada com respeito na sua infância e que também viu como seus pais respeitavam todos aqueles que os rodeavam será um adulto respeitoso.
Mas como podemos alcançar essa conquista? Como a criação autorregulada nos ensina a criar adultos felizes para o mundo?
  • Uma criança deve se sentir compreendida e acompanhada em todos os momentos. Se a frustração aparece, ela deixa de se sentir adaptada, integrada.
  • É preciso educar com um apego saudável baseado no amor e na proximidadeDesta forma, pouco a pouco essa criança se sentirá segura para dar seus próprios passos para alcançar a independência.
  • A voz de uma criança deve ser escutada em todos os momentos, porque elas também devem ser levados em conta quando riem e quando choram, quando exigem ou quando sugerem.
  • A criação autorregulada também nos fala do tempo, de não iniciar o aprendizado intelectual até a criança fazer 7 anos, para proporcionar uma infância de descobrimentos através de brincadeiras.
A interação com os ambientes em que a criança está inserida através dos cinco sentidos e das relações com seus iguais mediante a alegria também nos oferece um modo interessante de favorecer seu desenvolvimento psicossocial. No entanto, e seja qual for a abordagem que escolhermos para criar nossos filhos, não devemos nos esquecer de algo tão simples como tratá-los com essa fórmula mágica certeira e infalível: o amor.

O Cavalinho que nasceu do Coração!



SINOPSE:
Este livro nos conduz a um ambiente frágil e ao mesmo tempo poderoso: o lugar das relações de amizade, solidariedade e da procura pela felicidade. Cercado por amigos que o ajudam a encontrar uma mamãe, Pepo representa milhares de crianças que sonham com um lar onde possam ser felizes.


  • Cortez Editora
  • Autor: Rossana Ramos
  • Ilustrador: Mari Ines Piekas

O que o destino me mandar!

Parente e Família.



Sempre me emociono quando reparo o quanto filhos adotivos passam a se parecer com os seus responsáveis. Ninguém diz que foram adotados: o mesmo olhar, o mesmo andar, a mesma forma de soletrar a respiração. Há um DNA da ternura mais intenso do que o próprio DNA. Os traços mudam conforme o amor a uma voz ou de acordo com o aconchego de um abraço.
Não subestimo a força da convivência. Família é feita de presença mais do que de registro. Há pais ausentes que nunca serão pais, há padrastos atentos que sempre serão pais.
Não existem pai e mãe por decreto, representam conquistas sucessivas. Não existem pai e mãe vitalícios. A paternidade e a maternidade significam favoritismo, só que não se ganha uma partida por antecipação. É preciso jogar dia por dia, rodada por rodada. Já perdi os meus filhos por distração, já os reconquistei por insistência e esforço.
Família é uma coisa, ser parente é outra. Identifico uma diferença fundamental. Amigos podem ser mais irmãos do que os irmãos ou mais mães do que as mães.
Família vem de laços espirituais; parente se caracteriza por laços sanguíneos. As pessoas que mais amo no decorrer da minha existência formarão a minha família, mesmo que não tenham nada a ver com o meu sobrenome.
Família é chegada, não origem. Família se descobre na velhice, não no berço. Família é afinidade, não determinação biológica. Família é quem ficou ao lado nas dificuldades enquanto a maioria desapareceu. Família é uma turma de sobreviventes, de eleitos, que enfrentam o mundo em nossa trincheira e jamais mudam de lado.
Já parentes são fatalidades, um lance de sorte ou azar. Nascemos tão somente ao lado deles, que têm a chance natural de se tornarem família, mas nem todos aproveitam.
Árvore genealógica é o início do ciclo, jamais o seu apogeu. Importante também pousar, frequentar os galhos, cuidar das folhagens, abastecer as raízes: trabalho feito pelas aves genealógicas de nossas vidas, os nossos verdadeiros familiares e cúmplices de segredos e desafios. 
Dividir o teto não garante proximidade, o que assegura a afeição é dividir o destino.

Por: Fabrício Carpinejar

Você foi chamado para fazer a diferença!


Quando o Coração dá à Luz!

“No peito, não no ventre, a mãe vai gerando filhos.”

(Mia Couto)


Não sem assombro, nos últimos dois ou três anos, tenho acompanhado a maneira como o que se pretendia um inadiável trabalho de conscientização coletiva sobre a importância da humanização dos partos descarrilou-se, inadvertidamente, em oficina de disputas e neuroses injustificáveis.
Chegam-me, por variadas fontes, histórias recorrentes de mulheres que, após meses de preparação física e psíquica para um parto natural isento de intervenções médicas, imergem em desolação ensandecida por decorrência de uma cesariana ou mesmo de uma simples analgesia que se lhe impôs indispensável:
“A Natureza equipou a mulher com todos os recursos para dar à luz naturalmente. Nossas bisavós o fizeram, mas eu fui fraca.”
“Nunca me perdoei por, depois de 26 horas suportando o insuportável, ter implorado por uma anestesia.”
“Cesariana não é parto: é intervenção cirúrgica. Por conseguinte, não pari.”
“Sinto-me menos mulher.”
“Passaram-se meses e ainda não digeri o meu fracasso.”
A cada duas horas, dizem-nos as estatísticas, uma brasileira é assassinada. Os números aterradores são também convite para que reflitamos sobre tantas outras mortes que nos têm sido impostas nesses cinco mil anos de patriarcado devastador. Mortes que, de tão sutis, jamais são contabilizadas e, por isso mesmo, ceifam-nos com impiedade obscena.
Uma mulher é morta quando, catequizada pelas cartilhas desse empoderamento inverídico, renega os limites do próprio corpo, por acreditar que deveria vestir-se de um estoicismo três números além ou comprimir-se numa vulnerabilidade três aros aquém, para exercer o direito de habitar em si mesma. De novo (e sempre!) vozes externas ditando costumes e reeditando tendências. Cintos de castidade, espartilhos, pés-de-lótus, burcas, silicones.
Uma mulher é morta quando, depois de quase 40 semanas de feliz expectativa, recebe finalmente, nos braços, aquele serzinho tão desejado – quente, macio, coberto de vérnix. Nada obstante, ao invés de Amor, sente desolação e pavor, porque suas reservas de vivências foram-lhe paulatinamente subtraídas, quando a convenceram de que o que experenciou foi “qualquer coisa”. Intercorrência. Cirurgia. Nunca um parto. Como!? Se o que redunda de uma cesariana não é um apêndice supurado ou uma vesícula inútil, mas uma vida toda fresca em sua beleza pulsante.
No zênite da Criação, de novo (e sempre!), a fêmea banida do paraíso. A culpa. O choro e o ranger de dentes.
Essa macabra desconstrução da maternidade, claro, desconsidera as mulheres que se fazem mães pelas vias da adoção. Talvez porque, na utopia coletiva, adoção seja filantropia. Ou derradeiro recurso a que algumas mulheres recorrem, para se confortarem de uma possível infertilidade. Jamais uma dentre tantas possibilidades bonitas de se trazer alguém à luz.
“O mais importante e bonito, do mundo,” – sabia Guimarães Rosa – “ é isto: que as pessoas não estão sempre iguais, ainda não foram terminadas…” A mãe que gesta no coração também o sabe. Atina que a vida é feita de muitos nascimentos insopitáveis e cotidianos. Sua maternidade é desataviada de batalhas por empoderamento, porquanto desarmado e entregue é sempre o Amor.
Demanda-se leveza de pássaro, quando o que se intenta é fazer-se ninho para o pouso de outra vida. E a Vida –precisamos admitir – é a arte de gerenciar impotências próprias e alheias. É preciso critério ante os comandos inflamados de “–Mulheres, empoderem-se: vocês podem tudo!” O mito da onipotência humana é a matéria-prima de uma sociedade inábil para o imprescindível exercício da empatia, da convivência pacífica com a diversidade. Há bordões sonoros que seduzem e que, no entanto, custam-nos as possibilidades todas de amar!
Uma mulher torna-se mãe quando, em desdobramentos de Amor, traz à luz ela mesma e aceita que sua fragilidade existe. É legítima quando, de coração apertado, solta a mão de sua cria para os primeiros passos. Empluma-lhe as asas para imperiosos voos solos a despeito das gaiolas do mundo; da densidade plúmbea das ruas cuja violência atropela os que ainda se atrevem à Esperança. Inevitável. O cotidiano e sua despoesia apressada, tomando ônibus, táxis, metrôs. O Imprevisto espreitando de cada esquina.
O coração dá à luz, quando descobre sua desmesurada capacidade de amar para além dos laços de conjunções biológicas. Ou da própria Lógica. Buscar o filho num abrigo é um modo lúcido e desobrigado de parir.
Nas madrugadas em que todos os fantasmas de um passado de abandono reerguem-se, feito borrasca espalhada por um céu de estanho, o conforto do Amor é jeito delicado de dar à luz um filho. Aquecer-lhe a alma em retalhos com as colchas que, vezes tantas, também nos faltam é parto. Fazê-lo comer – ao invés de esculpir com o garfo – o purê de batatas também.
Uma mulher torna-se mãe, quando faz o melhor que pode, mesmo quando o que lhe foi imposto como dívida impagável por sua condição de fêmea grita-lhe que o seu melhor nunca será o suficiente. Quisera ela ter respostas para tudo o que não faz sentido, mas lhe golpeia a alma em perguntas desenfreadas! O menino esmolando no estacionamento. A vida. A morte. O mundo, gigante terrível, que aprisiona crianças em abrigos cheios de portas trancadas. As janelas com grades. Quisera ela explicar as grades e as trancas! A fome. O bicho-homem. A estranha matemática do Existir cujos cálculos não fecham: sobram filhos. Faltam pais. Quisera ela o remédio para a traiçoeira dor que, vez ou outra, retorna por alguma brecha oculta na alma de sua criança marcada por longos anos de falta e espera!
Uma mulher torna-se mãe, quando aprende a dessaber e, do cimo de sua insapiência, aceita ajuda para o que não sabe ou não cabe. Dividir é maneira amorosa de transbordar. Um filho nasce também de olhares alheios. De cuidados outros. De mãos e mães diversas que pavimentam, em seus caminhos de medo, atalhos trafegáveis.
Uma mulher torna-se mãe, quando se rende: a doença do mundo existe. Indesmentível. O reconhecimento é o primeiro passo para não se contaminar. Uma mulher torna-se mãe quando se rende: o Amor existe. Indesmentível. O reconhecimento é o primeiro passo para amar.
No corre-corre doentio do mundo, filho é o Amor feito espanto. Nasce todos os dias de partos-relâmpagos, sob o altíssimo risco de sequer notarmos o Milagre que é, pela milésima primeira vez, aninhar ao peito esse Alguém que nunca se conclui; mas que, entre sístoles e diástoles de Beleza, acontece. E, em detalhes de finos êxtases que só podem ser vistos a coração nu, nos traz também à luz.



Apadrinhamento Afetivo entenda como funciona.



Apadrinhamento afetivo de crianças e adolescentes: entenda como funciona


 O programa especial do CNJ Responde, do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), entrevista nesta semana a psicóloga Maria da Penha Oliveira. Ela é coordenadora do programa de apadrinhamento afetivo da ONG Aconchego, em Brasília, pioneiro no Brasil. Além disso, Penha é consultora para o Programa Matriz de Formação, uma parceria da ONG com a Secretaria de Direitos Humanos, cujo foco é a preparação para adoção e apadrinhamento afetivo.

O apadrinhamento afetivo é um programa voltado para crianças e adolescentes que vivem em situação de acolhimento ou em famílias acolhedoras, com o objetivo de promover vínculos afetivos seguros e duradouros entre eles e pessoas da comunidade que se dispõem a ser padrinhos e madrinhas. Na entrevista, Penha explica quem pode apadrinhar, quais as responsabilidades dos padrinhos e madrinhas, os limites da convivência e como se dá este vínculo tão importante para a vida da criança. Assista aqui o vídeo.

De 2013 até 2015, a ONG Aconchego capacitou 43 padrinhos e madrinhas em Brasília, dos quais apenas 13 estão exercendo a atividade, que consiste em visitas quinzenais à criança, auxílio emocional, orientação vocacional, dentre muitas outras possibilidades de convivência. Ao contrário do que muitas vezes se pensa, ser padrinho ou madrinha exige muita responsabilidade e comprometimento para manter o vínculo com crianças que já sofreram uma vez o afastamento de suas famílias de origem. Esse é um dos motivos de muitas pessoas fazerem o curso e acabarem desistindo no final.

As crianças aptas a serem apadrinhadas têm, quase sempre, mais de dez anos, e, portanto, chances remotas de adoção. Na entrevista, Penha esclarece alguns mitos em torno do apadrinhamento, como o de que a criança ficará frustrada por não ser adotada pelo padrinho, ou ainda de que o apadrinhamento consistiria em uma ajuda financeira.

“A pessoa se tornará uma referência na vida da criança, mas não recebe a guarda. O guardião continua sendo a instituição de acolhimento”, afirmou. Segundo ela, para que ocorram as saídas de fim de semana, os técnicos do abrigo vistoriam antes se a casa do padrinho é um ambiente familiar seguro, bem inserido socialmente. Para viagens e férias, é preciso a autorização da vara de infância. “Precisa ter responsabilidade. A criança que não teve vínculos precisa de previsibilidade, constância, não alguém que só apareça no Natal ou no Dia das Crianças”, afirmou.

Maria da Penha ressalta que é fundamental que as instituições de acolhimento conheçam muito bem o programa e se capacitem para implantá-lo. “É um mito achar que o apadrinhamento cria a confusão na cabeça da criança ou que gera uma expectativa de adoção. Essas crianças sabem que as chances de adoção são remotas, e que eles têm que se cuidar para sua própria vida. Podem aprender com o padrinho como funciona uma família para construir a sua um dia. A gente orienta que os padrinhos não façam só programas de lazer, mas que deixem essas crianças participarem da rotina real das famílias, como ir ao supermercado, lavar o carro, etc”, ressaltou.

Ela observa que o aprendizado é efetivado a partir de vínculos. “E quando não se tem o vínculo social, vai dificultando a vida escolar. A maioria dos acolhidos tem um nível baixo de escolaridade, e o padrinho e a madrinha não podem ser mais um. Vão fazer a diferença na vida dele, não são mais um 'tio' que está ajudando a cuidar.”



Fonte: Luíza de Carvalho Fariello
Agência CNJ de Notícias.