Reflexão




Emprestei meu Filho


"Emprestarei a vocês este filho querido “Por um tempo” 
- ouvimos Deus dizer  
"Para que o amem enquanto tiver vivido, 
“E o chorem se vier a morrer.” 
"Talvez por dois anos, quatro, ou cinco até, 
Ou quem sabe, chegue a vinte e três, 
Seja o que for meu pedido agora é: 
Podem cuidar dele até eu vir buscá-lo outra vez?"
"O seu jeito de ser lhes trará horas gostosas, 
e se sua estadia acaso muito breve for vocês ficarão 
com lembranças preciosas, 
“Como um consolo para a vossa intensa dor.”
"Que ele ficará com vocês, não posso prometer, 
Já que tudo, da Terra, precisa voltar, 
Porém há lições para ele aí aprender, 
“Que de outro modo nunca iria assimilar.” 
"Eu procurei por todo o mundo, a buscar, 
Pessoas aptas que pudessem ensiná-lo, 
E das multidões que estão na vida a caminhar, 
“Achei que só vocês poderiam ajudá-lo.” 
"Será que poderiam dar a ele todo o amor, 
Sem pensarem ser trabalho em vão, 
E nem se ressentirem contra Mim 
quando Eu for Aí buscá-lo, para tê-lo comigo então?”

“ Creio haver ouvido de vocês a oração:
 Amado Senhor, seja feito o Teu querer; 
Pelo gozo que este filho possa trazer então, 
“Correremos o risco de tal dor sofrer.” 
"O cobriremos de amor, terno e permanente; 
A ele vestiremos de carinho e bondade; 
E a Ti ficaremos gratos agora e eternamente, 
“Pois nos fizeste conhecer a felicidade.”
"E se chegar a hora que o quiseres chamar, 
Antes até do que havíamos planejado, 
A dor que virá, procuraremos enfrentar, 
“E compreender que isto foi o Teu cuidado.”

Autor: Desconhecido.



 Marca genética?


No filho adotivo não se realiza a marca genética nem se satisfaz a expectativa social da 'normalidade' reprodutiva. Parece que perdura na cabeça das pessoas a necessidade da reprodução como um atestado de capacidade fisiológica. Não se consideram todos os outros laços que, na pessoa humana, ligam os genitores a seus filhos. Certamente, das ligações familiares, as mais limitadas são as que se referem aos aspectos genéticos. As relações afetivas constituem o grande arcabouço das ligações interpessoais, que perduram, renovam-se e compõem a dinâmica da vida.” - "No seu sentido mais profundamente existencial, o filho adotivo surge como um agente de realização e de prazer, mesmo quando sua trajetória é tumultuada e difícil. Nesse aspecto, em nada difere a filiação genética da adotiva. A filiação por adoção carrega o mito da dúvida sobre o acerto da escolha, levando muitas pessoas a assumirem uma atitude preconceituosa e, portanto, inadequada, sobre o seu futuro. Nada do que é passível de acontecer ao filho adotivo deixa de sê-lo, também, ao 'filho biológico'." - "Procriar é uma condição dada pela natureza; criar é uma responsabilidade no âmbito da ética entre os homens. É nessa relação que identificamos um dos momentos cruciantes da estabilidade humana: o desnível entre criar e procriar. Procriar é um momento; criar é um processo. Procriar é fisiológico; criar é afetivo. A adoção do filho se insere exatamente aí: na atitude e nos atos de criação no sentido físico e afetivo. O filho, que era sonho, e por ser sonho, tinha a condição fundamental de ser realidade, afirma-se como filho, não pelo processo biológico e fisiológico do nascimento, mas pela adoção afetiva dos pais que, incondicionalmente o amam." - "A inexistência dos laços genéticos não invalida as relações parentais." - “No processo existencial da vida, uma decisão levará a tantas outras quantas forem necessárias para dar sentido à primeira”. “Erram aqueles que pensam que, na vida, sobretudo nas relações interpessoais, as decisões são isoladas e independentes das que virão mais adiante”. - “ Para que o filho veja os pais adotivos como seus verdadeiros pais, nada mais é preciso do que a convivência que supre que permite trocas, que proporciona a oportunidade de ouvir e de falar de tocar e ser tocado, de chorar e ser consolado”.



Um Filho vem de dentro


"O filho adotado não vem de fora; vem de dentro, do mesmo modo que o filho, biologicamente gerado, vem de dentro e não de fora. Se a adoção se efetiva, em muitos casos, como consequência de transtornos biológicos, fisiológicos ou psicológicos, a geração biológica de um filho nem sempre ocorre dentro dos padrões ideais de expectativa. Isso nos leva a pensar que, certamente, não seria estranho, usar a mesma expressão para as duas situações: tanto os que têm filhos biológicos quanto os que os têm por adoção geram, verdadeiramente, seus filhos. A inexistência dos laços genéticos não invalida as relações parentais." "No processo existencial da vida, uma decisão levará a tantas outras quantas forem necessárias para dar sentido à primeira. Erram aqueles que pensam que, na vida, sobretudo nas relações interpessoais, as decisões são isoladas e independentes das que virão mais adiante”.




 Mãe do coração


Esta criança esteve escondida no teu pensamento, Noite após noite, por anos a fio, Guardados na tua retina sem que nunca a tivesses visto. Esta criança bendita, que foi escolhida por Deus e por ti, Para compartilhar de tua vida, nunca sofrerá, Ficará triste ou chorará por desamor ou abandono, Pois existe alguém especial, um anjo, Que o destino colocou em seu caminho Para lhe suprir as carências, lhe amar, dar carinho. Ela foi abençoada. Não foi gerada por ti, não foi esperada por nove meses, não veio de dentro de tuas entranhas, mas veio de algo muito maior: um amor enorme que tinhas para compartilhar com ela e com o mundo. Não o adotaste simplesmente; ele é teu filho – filho do imenso carinho que tens para dar, da tua capacidade de doação, da abnegação, do desejo sofrido e ao mesmo tempo esperanças o que tiveste de um dia cuidar e de ouvir alguém te chamando de “mãe”. Será filho de noites em claro, de preocupações, de alegrias, de dias de chuva, de dias de sol. Será filho de tristezas, de sonhos, de esperanças e de dedicação, pois tens por ele o mesmo carinho que terias por um filho do teu sangue. Esta criança veio de onde quer que seja, Predestinada para ti. Apenas nasceu de outra mãe, Pois nada acontece por acaso, Mas o destino dela eram os teus braços e teu desvelo. Ela foi gerada dentro do teu coração Porque, provavelmente, merecia uma mãe tão especial quanto tu!

Maria Eugênia - Doce Deleite




Tornando-se pais adotivos


Vocês acabam de se tornar pais adotivos, ou estão pensando seriamente nisso.
Ao lado da expectativa e da alegria, o medo e a incerteza, uma sensação de incapacidade...
Igualzinho aos pais naturais.
A mãe natureza dá aos pais naturais a possibilidade da gestação, que é um preparo físico e emocional, para a chegada do mais novo membro da família, e sabemos que dura, em média, 40 semanas.
Já com o filho adotivo essa "gestação" tem um tempo impreciso, podem ser anos ou dias.
Mas seja qual for o tempo que vocês tiverem entre o momento em que tem a certeza de que o bebê vai chegar e o "grande dia" da chegada, várias medidas podem ser tomadas para facilitar essa transição: Descubram como se sentem os pais adotivos, conversem com outros casais que adotaram bebês, sobre suas preocupações e seus problemas e soluções.

Leiam livros sobre o assunto, Tenho dicas de alguns livros no meu blog, Encontre um grupo de apoio a pais adotivos ou busque a ajuda de um psicólogo especializado e faça um acompanhamento. Descubram como se sentem os recém-nascidos
Façam um curso de preparação ao casal grávido (ao menos às aulas que falam de recém-nascidos e cuidados físicos e emocionais). Aprendam um pouco sobre "inteligência emocional" a fim de ajudar seu bebê recém-chegado. Leiam livros sobre bebês. Dêem uma "boa" olhada nos bebês Visitem amigas e conhecidas com bebês novos ou vá até uma maternidade ou berçário, e olhe bem para eles, para que não pareçam tão estranhos. Façam as compras com antecedência Programe-se, preparando uma lista de enxoval e objetos "úteis" a um bebê. Vá às lojas especializadas e compre tudo o que seu filho usará nos próximos meses, assim terá mais tempo livre para quando ele finalmente chegar. Escolham o pediatra de seu filho A escolha antecipada do pediatra é tão importante para vocês quanto para um "casal grávido".
Marcar uma consulta antes da chegada do seu filho possibilitará a vocês fazerem perguntas e manifestarem suas preocupações de pais adotivos. E daí, tão logo o bebê chegue, já poderá passar por uma consulta pediátrica, e o médico saberá um pouco mais sobre vocês, trazendo benefícios ao bebê.

Considere a possibilidade de amamentar Algumas mães-adotivas são capazes de amamentar seus bebês, ao menos em parte. Converse com seu ginecologista a respeito, ele fará as orientações e encaminhamentos necessários.
Contem aos familiares e amigos a novidade Pode ser do jeito mais tradicional: enviando um cartão participando a chegada do bebê (e deixando claro que é um bebê adotado) "Temos o grande prazer de comunicar a adoção de...”. Ou informalmente, pelo telefone. Lembrem-se: ao falar com quaisquer pessoas sobre o bebê, refira-se desde o começo a nosso (a) filho (a). E ao mencionar o casal que o gerou, chame-os de "pais biológicos" ou "pais de nascimento", nunca digam PAIS VERDADEIROS, pois os pais verdadeiros são vocês. E quanto mais resolvida for esta questão para vocês, será para os que os cercam.
Contem ao seu filho Hoje, já não se pergunta mais se deve ou não contar a uma criança que ela é adotiva. Faz parte do contexto geral e todos os especialistas concordam que as crianças PRECISAM saber e tem o direito de saber de sua adoção. E sempre através dos pais. Vocês podem começar desde o momento que a criança chega a casa.

“Mencionando que foi "o melhor dia de suas vidas" e que estão muito felizes por terem adotado ele (a)". Embora a criança não seja capaz de entender o que significa a "adoção" antes dos 3 ou 4 anos, o contato precoce com esse conceito fará parecer natural e tornará a sua explicação, quando vier, menos ameaçadora e mais fácil de suportar. E finalmente, lembrem-se: os pais adotivos tem direito a todas as dúvidas, ansiedades, medos, expectativas, surpresas e alegrias dos pais biológicos.
Portanto permitam-se ser PAIS, sem medo de errar.
Boa sorte!

Clarice Skalkowicz Jreissati - Psicóloga.




 Sou mãe!


Sou mãe, e mãe adotiva. Não sei o porquê dessa ânsia de ter nos braços pequenos corpinhos indefesos. Na busca talvez de curar uma ferida da humanidade, entre tantas outras, o abandono de um ser indefeso é a mais cruel. Não pude abraçar nenhuma causa, nem levantar bandeira alguma para abolir de nossas vidas tanta degeneração. Mas optei por colaborar com o pouco que tenho, dando um lar e muito, muito amor. E a vida nos mostra a recompensa quando vemos filhos fortes, estudiosos e trabalhadores. Pois não pude dar fama e nem dinheiro, mas a educação e a filosofia de que cada um é responsável pelos seus próprios atos, e que vestidos com a armadura de Deus, somos sempre vencedores!!!
GENTE!!! Não importa a origem, a cor ou a etnia, são seres humanos, que amparados, amados e educados são capazes de traçar seu caminho e escrever sua própria história.
"Filho é um ser que nos foi emprestado para um curso intensivo de como amar alguém além de nós mesmos, de como mudar nossos piores defeitos para darmos os melhores exemplos e de aprendermos a ter coragem. Isto mesmo! Ser pai ou mãe é o maior ato de coragem que alguém pode ter, porque é se expor a todo tipo de dor, principalmente da incerteza de estar agindo corretamente e do medo de perder algo tão amado.
Perder? Como? Não é nosso, recordam-se? 
“Foi apenas um empréstimo”

. [J. Saramago]



Convivência


Na relação com as pessoas de nossa convivência, a coragem toma a forma de enfrentação dos riscos do acolhimento e da intimidade, pois jamais sairemos ilesos após fazermos uma escolha, seja para o bem, seja para o mal. Coragem para conquistar o antiético não é coragem, é afoiteza ditada pelo medo ou pelo egoísmo. Nenhum educador tem de ser implacável quando se propõe a ensinar ao que não sabe ou corrigir ao que aprendeu de forma distorcida. Desaprender é mais difícil do que aprender um novo comportamento.

É mais doloroso desarraigar o que se incorporou de maneira inadequada do que construir o caminho novo do aprender, e a aprendizagem é um novo aprender em que educador e educando se unem para efetuar uma transformação mútua em busca de algo maior. Conviver com as mudanças no outro faz parte da vida em comunidade para preservar a coesão do grupo. Para isso, será necessário agir com humildade, respeito e paciência. Paciência não é tolerância. A tolerância é quase ofensiva. A paciência é amorosa. Não se constrói convivência simplesmente com normas e leis. A letra do regulamento indica o rumo, mas não contempla a alma com suas peculiaridades de pessoa. Até a palavra clara e explícita soa contraditória quando contaminada pela acidez da alma. Colocamos nas palavras a dureza ou a ternura do nosso espírito; o rancor ou o perdão do nosso coração. O que dizemos, não é o que dizemos, é o que somos.

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