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Amor multiplicado por seis!!!


Mulher adota 6 irmãs de uma vez só,

 para que elas ficassem juntas.




A coisa mais triste para irmãos que passam pelo processo de adoção é saber que um dia eles podem ser separados. Afinal, não é todo mundo que têm condições financeiras e emocionais para adotar mais de uma criança.
Mas, nunca se pode perder a esperança quando existem pessoas como a norte-americana Lacey Dunkin.
Em 2011, ela adotou seis irmãs de uma vez só, incluindo uma recém-nascida, para que elas não fossem separadas e tivessem seus corações partidos pela distância umas das outras.
“Elas [filhas] me trazem muita alegria e caos, mas a vida seria tão vazia, sem graça e chata sem elas. É uma honra ser mãe, elas derretem meu coração”, explicou Lacey.




Projeto Adotar - Tribunal de Justiça de S.P.



Conheça a bela história do casal Rodrigo e Marcela.
Exemplo de que a adoção é um ato de amor, que transforma vidas.

Mais informações sobre adoção em www.tjsp.jus.br/adotar

Caminhos da Reportagem - Histórias de Abrigo.


Histórias de vida de jovens que crescem em serviços de acolhimento, os chamados abrigos, são contadas nesta edição do Caminhos da Reportagem. Mais de 45 mil crianças e adolescentes estão acolhidos no Brasil. Apenas 7 mil deles estão no Cadastro Nacional de Adoção.
Existem hoje cinco vezes mais pretendentes à adoção do que crianças e adolescentes cadastrados. Mas 60,89% das crianças disponíveis para adoção têm mais de 10 anos de idade e 82,20% das pessoas que querem adotar aceitam apenas crianças com menos de 5 anos. Os dados são do Cadastro Nacional de Adoção e refletem um cenário em que jovens crescem dentro dos abrigos e não têm para onde ir quando completam 18 anos de idade. Seria quando, de acordo com a legislação, eles deixariam de estar sob a tutela do Estado.
Nossa equipe conversou com jovens que estão quase completando 18 anos de idade e tentam encontrar um caminho para seguir em frente. No Distrito Federal, vamos mostrar a realidade desses jovens e projetos como repúblicas jovens, uma modalidade de acolhimento criada para quem tem entre 18 e 21 anos de idade e ainda não tem para onde ir depois do abrigo. Também no DF, conhecemos a história de Raí e Gelson. Raí, prestes a fazer 18 anos de idade e preocupado com o que faria da vida ao completar a maioridade e sair do abrigo, procurou a Vara de Infância em busca de um estágio ou de um emprego. Gelson trabalha num programa social e acompanhava Raí. Ao conversar com o jovem, sentiu que ele seria seu filho e o adotou. Hoje, com 23 anos de idade, Raí tem em Gelson um pai e um herói, e faz planos para o futuro.
Em Pernambuco, nossa equipe conheceu de perto o programa Adote um Pequeno Torcedor, o primeiro programa de adoção do país apoiado por um time de futebol, o Sport Clube de Recife, idealizado pelo juiz Élio Braz, da Vara de Infância e Juventude do Recife e pela direção do clube de futebol. O objetivo é impulsionar a adoção de crianças mais velhas, com idade acima de 7 anos.
Vamos mostrar um casal no Recife que adotou três meninas adolescentes. A mãe conta que quando mudou o perfil de idade no cadastro de adoção, o telefone dela não parara de tocar, com notícias de adolescentes disponíveis para adoção em todo o país. Também na capital de Pernambuco, nossa equipe foi apresentada à Sara e à Nataline, que completaram 18 anos e deixaram o serviço de acolhimento e não tinham para onde ir. Foi quando Maria, a educadora social da instituição em que elas moravam, resolveu levar as duas para viver com ela.

Reportagem: Ana Graziela Aguiar

http://tvbrasil.ebc.com.br/

A vida depois de adotar duas crianças.



“Está tudo diferente. A gente teve uma mudança de 180 graus. Ter filhos muda toda a nossa visão de mundo, a perspectiva, o que a gente deseja para o futuro, a vontade de cuidar de outra pessoa, o interesse, o foco da sua vida, enfim. A gente acaba pensando primeiro neles e depois na gente mesmo. É fantástico ter filhos. A melhor coisa que pode acontecer na vida de alguém”, diz Carol.

“E se eu passar dos 12 anos e não for adotado?”



Como fica o adolescente que não pode retornar para seus familiares e não há possibilidade de adoção em função da idade ou de sua resistência a nova família candidata a adotá-lo?

O que as instituições de acolhimento (suas equipes, coordenadores, cuidadores e diversos outros atores) fazem para que esses adolescentes possam sair da Instituição e estarem em condição de enfrentar a vida sem nenhum suporte (uma referência no caso de ficar doente, uma casa para passar o natal)?

Soube que há poucos anos, numa cidade do Sudeste, alguns adolescentes saíram de um Abrigo com 18 anos e foram morar num prédio abandonado. Eles tiveram cama, alimentação, roupa lavada, cuidados diversos até os 17 anos e 11 meses e depois foram para rua sem nada. O que você faria para sobreviver estando nessa condição? O que deveríamos fazer para que histórias assim não se repitam?

Em primeiro lugar, essas instituições (antigamente chamadas de orfanatos) precisam se organizar, planejar pelo menos como serão os 4 últimos anos dos adolescentes acolhidos antes de se completar a maioridade. Os projetos de “preparação para a saída dos adolescentes acolhidos” deve ter o TOTAL apoio financeiro da Prefeitura para educar de “verdade” esses jovens. Se elas e eles apresentam uma baixa autoestima, baixa escolaridade, nenhum curso profissionalizante, como poderão encontrar um trabalho? Mesmo que exista somente uma tia distante que aceita receber o adolescente um dia do mês para visita, que a instituição o leve até lá. É um laço que fará falta no futuro.

Participei de uma audiência que alguns tios foram tão pressionados e tão invadidos na sua privacidade por diversas equipes profissionais que se sentiram acuados e se afastaram do sobrinho que estava acolhido. O excesso de visitas domiciliares por assistentes sociais, psicólogos e outros profissionais da instituição também podem prejudicar a reaproximação familiar, assim como o contrário também pode prejudicar a construção do afeto. Nesse trabalho todo cuidado é pouco, pois são vidas feridas pelo abandono (ou violência) dos pais.

Defendo ainda os projetos de colocação no mercado laboral a partir dos 14 anos, o chamado“Jovem Aprendiz”. A prefeitura de Rio das Flores (RJ) implantou este projeto há alguns anos e além de qualificar o adolescente “acolhido”, este guardará 80% do salário e sairá aos 18 anos com uma poupança e com um currículo iniciado. Futuramente, a prefeitura de Valença (RJ) também implantará o mesmo projeto. É um caminho!

Participei de uma audiência concentrada na cidade do Carmo (RJ) – estas acontecem duas vezes ao ano no Estado do Rio de Janeiro, abril e outubro, para se avaliar a situação de cada criança e adolescente institucionalizado. Então, observou-se que alguns adolescentes sairiam da instituição de acolhimento porque haviam completado 18 anos. Como não estavam trabalhando, promotora e juiz acordaram que a Prefeitura pagaria um aluguel para os mesmos, até que eles estivessem empregados.

Acredito que respostas exitosas possam aparecer para as indagações iniciais do presente texto, entretanto são necessários autoridades e profissionais comprometidos com a causa da infância.

No ano passado participei de um processo onde dois adolescentes cometeram um ato infracional e, ao invés de puni-los com medida extrema (internação), promotora e juiz decidiram transferi-los para outras instituições. Nestes Abrigos eles foram tratados sem rótulos e individualmente, os resultados positivos foram impressionantes. Um deles retornou ao Abrigo de origem e sempre se refere com saudade da outra instituição onde recebeu um olhar diferenciado, especial. O segundo adolescente, continua na instituição para onde foi encaminhado e lá está inserido em diversas atividades, inclusive há dois meses está exercendo uma função remunerada na Prefeitura.

Vale destacar, que esses jovens apresentam altos e baixos porque possuem uma história difícil de sofrimento – desamparo dos próprios familiares. Talvez se tornariam mais revoltados se tivessem sido “punidos” com medida de internação. Ter saído de sua cidade já foi um limite importante, não faltou à intervenção da justiça.

É lamentável quando os cuidadores e coordenadores das instituições de acolhimento se queixam com frequência do comportamento dos acolhidos, alguns dizem que eles deveriam ser mais “obedientes” e “calmos”. Esses funcionários deveriam ser mais preparados para a função e também deveriam receber salários mais justos. O treinamento constante dos cuidadores também seria essencial, eles não podem e nem devem “proteger” os mais “tranquilos” e “perseguir” os mais “revoltados” e estigmatizá-los.

É claro que as crianças necessitam seguir as regras e uma rotina organizada, isso também é fundamental para educação dos mesmos.Mas eles chegam de lares que não havia horário para nada, sendo difícil se adaptar a uma instituição com várias regras.

Outro adolescente, muito inteligente, teve oportunidade de ser adotado, mas não se adaptou. Ele diz que possui o desejo de voltar a conviver com o pai e fala com muita propriedade dos seus direitos. O genitor passou por muitos reveses e por isso perdeu a guarda dos filhos. Mas J. (13 anos) não perdeu as esperanças, ele ainda acredita que poderá um dia morar com o seu pai.

Recentemente, J. cometeu um ato infracional. Promotora e juiz decidiram colocá-lo numa instituição fechada, ele cumpriria a medida de internação. No domingo, o juiz da comarca decidiu visitá-lo na Delegacia; ele estava aguardando a transferência e seria levado na segunda-feira para um local destinado aos adolescentes infratores. Nesta visita o juiz decidiu dar-lhe mais uma chance. Com a concordância da promotora, o adolescente foi para uma Instituição de Acolhimento que tem sido um modelo de qualidade no atendimento na região.

Então, na nova instituição, J. foi entrevistado para um concurso, gostaram do que ele falou e, em breve, será premiado. Na entrevista o adolescente conta que quer mudar de rumo, “quer ser um homem responsável com suas obrigações”, que deseja – quando for adulto – ser um pai dedicado, um pai diferente que o seu conseguiu ser. Contou, determinado, que decidiu estudar para ser juiz.

J. viu no juiz que foi visitá-lo um modelo, alguém que vale a pena “copiar”. O magistrado o escutou, olhou para ele, demonstrou preocupação sincera pela sua história de vida e lhe deu outra oportunidade.

Em breve, entrevistaremos J. e deixaremos ele mesmo contar para vocês sua experiência. Aguardem!

Sou um pai realizado com a chegada do quarto filho adotivo!


Luiz Fernando

Pai do Luiz Guilherme, Ana Luiza, Ana Clara e Luiz Felipe

♥ “Eu que tenho que agradecê-los, afinal eles fizeram a história ser escrita da maneira que sempre desejei, sem limites e sem barreiras.”


08.08.2016 - Hoje sou um pai realizado com a chegada do quarto filho adotivo, mas qual foi o caminho percorrido até aqui?
Minha esposa Ana Karina já contou um pouco da nossa história sobre as três primeiras adoções, e hoje eu conto o meu lado da história!
Nasci em uma cidade pequena do interior de São Paulo, aonde meus pais vieram de famílias grandes, sendo 15 filhos de cada lado, ou seja, desde criança o desejo de ser pai era imenso, afinal a casa estava sempre cheia, com muita diversão, brincadeiras e bagunça.
Claro que quando crescemos nos tornamos mais racionais, porém, o desejo de ser pai nunca se apagou. Em agosto de 2002, eu e a Ana Karina resolvemos nos casar, após cinco meses de namoro. Nossa principal meta era construir uma família, mas o destino não era tão simples assim.
“Descobrimos que o caminho até a paternidade seria árduo, pois fomos privados da realização natural de nossos sonhos, mas nunca, nunca desistimos.”
Iniciou então nossa jornada, tentamos, gastamos, choramos e nada… Seria hora de desistir? Jamais! Nem passou em minha cabeça, pois a adoção já fazia parte de nossos planos, para nós, não importava o meio de se tornar pai, afinal o pai verdadeiro é aquele que acolhe, que cuida e que ama.
Para minha grande alegria, a vida tomou outro rumo em novembro de 2005 com a chegada do Luiz Guilherme, através da fila de adoção. Foi um sentimento mágico, difícil de expressar em palavras, pois se tornar pai da noite para o dia é algo realmente extraordinário.
Agora sim, posso gritar a pleno pulmões que SOU PAI!
Certo, mas e aquela história de família grande? Minha família era grande e meu desejo era ter mais filhos, então a luta continuou, o que não foi nada fácil, muita burocracia, muita espera, decepções, mas tínhamos que continuar.
Então, em agosto de 2008 chegou minha princesa Ana Luiza, foi aí que senti ter fechado mais um ciclo da vida, afinal tinha um casal de filhos, a configuração ideal para nós!
Agora posso encerrar minha história… Ou não!
“Nossa família estava completa, mas não fechamos a porta de nossos corações.”
Como estávamos de coração aberto, não é que a família cresceu em setembro de 2011 com a chegada da Ana Clara?
Agora sim! Mais completos do que nunca. Meus pais tiveram três filhos, meus irmãos também tiveram três filhos, mas calma aí…não temos que ser iguais, portanto, corações abertos!
A crise chegou. Decidimos economizar, menos passeio, menos diversão, mas tinha algo de sobra, que era o amor de pai.
E no meio da turbulência chegou ele, o caçula, meu pequeno grande homem Luiz Felipe, hoje com um mês de vida. Tornei-me pai novamente aos 40, história essa que minha esposa também relatou, a nossa espera por ele!
Às vezes penso a respeito da história dessas quatro crianças, o que a vida fez para que hoje estivéssemos juntos, o que Deus traçou para nos cruzarmos e o que Ele ainda planeja para nossa família.
“Meus filhos me agradecem pela adoção, mas não, eu que tenho que agradecê-los, afinal eles fizeram a história ser escrita da maneira que sempre desejei e com algo a mais, que é esse amor incondicional, sem limites e sem barreiras.”
Agradeço de coração a esposa maravilhosa que tenho, que me ajuda a ser um pai melhor, mas com quatro anjinhos ao meu lado, essa tarefa se torna muito mais fácil e prazerosa.

Contrariando Estatísticas!





Dona de casa adotou três crianças deficientes.



  • 8.mar.2016 - Otilina Duailibe com o filho adotivo caçula, Samuel
    8.mar.2016 - Otilina Duailibe com o filho adotivo caçula, Samuel
Otilina Duailibe não é uma mãe comum. A piauiense de 60 anos têm cinco filhos: dois de sangue e três de coração. Voluntária no Lar da Criança em Teresina, Otilina doava afeto para crianças abandonadas até que se encantou por três crianças singulares que estavam na instituição, lutou pela adoção legal e hoje dá nome, lar e amor a Mateus, Daniela e Samuel, três crianças com necessidades especiais.


Com hidrocefalia, Mateus foi adotado aos dois anos e hoje é um rapaz de 18. Daniela é portadora da Síndrome de Dandy Walker (malformação cerebral congênita) e foi para a casa de Otilina com quatro anos; hoje tem 17. Samuel, o caçula, tem Síndrome de Down e foi adotado pequenininho, com um ano; atualmente, está com oito. "Eles são maravilhosos", conta a mãe, orgulhosa das crias.

8.mar.2016 - Otilina com os filhos adotivos Daniela, Samuel (centro) e Mateus (dir.)

"Não acredito em coincidências, acho que eu tinha esse encontro marcado, me apaixonei quando fui fazer um trabalho, e hoje vejo que, na realidade, não era bem um trabalho", contou a dona de casa sobre o contato com os filhos ainda no orfanato. 


Otilina contraria o senso comum já que apenas 8% dos pretendentes a adoção no Brasil gostariam de adotar alguma criança com deficiência, segundo dados do Cadastro Nacional de Adoção.


Otilina faz parte deste dado bem pouco expressivo em nosso país com o trio adotivo. Ela tem na ponta da língua e marcado em sua própria vida os preceitos que os pais devem ter ao optar pela adoção de filhos com necessidades especiais: "Amor em abundância, desapego dos paradigmas considerados normais e disposição para se doar".


A vida de Otilina Duailibe teve de mudar para de adaptar ao cuidado dos filhos adotivos. A técnica em enfermagem precisou abdicar do trabalho para ficar mais próxima de Mateus, Daniela e Samuel. Atualmente é sacoleira e arrependimento é uma palavra que não existe em seu cotidiano. "Adotar um deficiente é uma realização sem igual. Só o coração pode definir", explica.

Depoimento: Família Dante

Entrevistado: mamãe Márcia.

Contem um pouco sobre a sua história do casal e sobre os seus filhos.
Me casei com o Renato muito cedo, eu com 20 anos e ele com 23, após namorar por 7 anos. Já sonhávamos em aumentar a família e assim aconteceu: primeiro veio a Paula e, após 1 ano e 4 meses, o João Vitor. Estávamos realizados e ao mesmo tempo assustados, já que ainda éramos muito novos diante de uma grande responsabilidade! Nesta ocasião, optamos por não ter mais filhos. E assim seguimos, com dedicação exclusiva aos dois, disponibilidade para criá-los com todo o amor e carinho que as crianças precisam.
Abri mão da minha profissão e tornei-me exclusivamente MÃE! Passamos por momentos incríveis e por alguns mais difíceis mas, juntos, resistimos a TUDO! Eles eram crianças encantadoras, alegres, felizes, saudáveis, amorosos, inteligentes, espertos e com um coração enorme! A cada fase da vida deles, vibrávamos juntos. Primeiro dia de escola, primeira comunhão, mudança de escola, primeiro amor, namoros, amizades, preparação para a vida universitária, faculdade e, finalmente, a formatura. Com ela veio uma mudança radical e os dois finalmente chegaram à fase adulta, com as responsabilidades de cada um, a independência e as decisões mais sérias. Hoje a Paula tem 24 anos e João Vitor tem 23 anos.
Mesmo com filhos mais velhos, nos derretemos completamente ao conhecer a Manu, e sabíamos que ela seria nossa filha. Quando decidimos adotá-la, a Paula tinha 23 anos e o João Vitor 22 anos.
Vocês sempre quiseram ter filhos ou esse desejo surgiu em algum momento da vida?
Sempre quisemos ter filhos, fazia parte dos nossos planos desde o tempo de namoro.
Não foi assustador pensar em adotar outra criança depois de ter dois filhos adultos?
Não, não foi assustador. Quando conhecemos a Manu não pensamos em mais nada…
Como funciona a lei para a adoção? É muito complicada?
O nosso caso foi uma exceção. O processo foi rápido e fácil. Ineditamente, em 30 dias a Manu já estava em casa.
Porque vocês resolveram adotar a Manu?
Na verdade, estávamos tranquilos com nossos filhos e não pensávamos em adotar mais um. Até que um dia, conhecemos a Manu, que fez tudo mudar. Ficamos completamente apaixonados e envolvidos quando a conhecemos e foi esse amor que nos motivou e incentivou.
Como foi o processo de adoção?
A Manu foi abandonada ao nascimento. É uma criança especial, nasceu com mielomeningocele e algumas complicações a mais, comprometendo algumas funções físicas e neurológicas. Morou no hospital (ao qual nasceu) até 01 ano e 01 mês de vida, quando veio para nossa casa. Durante a sua estadia no hospital, o serviço social entrou em contato por diversas vezes com a família biológica, tentando criar um vínculo emocional e, quem sabe, sensibilizá-los quanto a importância da presença deles na vida da pequena Manu. Entraram em contato então com o banco de dados das famílias interessadas em adotar uma criança, tanto no estado de SP como em todo o Brasil. Porém, pelo fato de ser uma criança especial, ninguém mostrou interesse. Sendo assim, permanecia hospitalizada por não ter nenhuma entidade capacitada para recebê-la devido aos problemas que ela apresentava e os cuidados que ela necessitava.
Um pouco antes da pequena completar um ano, minha filha mais velha, a Paula, cursando o último ano da faculdade de medicina e passando pelo estágio na pediatria, conheceu a “paciente” e dedicou-se aos cuidados com ela. Foi aproximando-se, cuidando e suprindo as necessidades e carências afetivas, até que eu e o Renato resolvemos conhecê-la. Fomos até o hospital e, como disse acima, nos apaixonamos imediatamente por ela. Ficamos sensibilizados com a triste história de vida e decidimos que tínhamos capacidade pra suprir o que ela precisava, juntando o que nós buscávamos na vida: dar e receber AMOR! A partir daí, partimos para a parte legal da adoção: visitas ao fórum, entrevistas e assim por diante.
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Que cuidados foram necessários quando ela chegou?
Por necessitar de cuidados especiais, tivemos que adquirir e preparar tudo para a vinda dela, não só com os cuidados básicos mas também como a aquisição de equipamentos apropriados para ela, como aspirador, inalador, materiais hospitalares, sondas, oxigênio (que apesar de não ser dependente, precisamos mantê-lo por qualquer eventual intercorrência), entre outros.
Ela respira pela Traqueostomia, se alimenta pela Gastrostomia (portanto, a dieta dela é enteral), urina pela Vesicostomia, não tem e não terá controle urinário e fecal. Além disso, tem dificuldade de alguns movimentos com o membro superior esquerdo e paralisia nos membros inferiores. Aprendemos a realizar tudo o que é necessário para a sobrevivência dela. Nos tornamos pais, cuidadores, enfermeiros, guardiões… Mas acima de tudo, pessoas melhores.
A vinda dela para nossa família fez com que nossa união aumentasse cada dia mais. A presença dela nos fez acreditar em milagre, em amor maior, em amor que vence barreiras.
Como você se sente ao olhar para os olhinhos da Manu hoje em dia?
Hoje me sinto plenamente realizada. Digo sempre que ELA fez muito mais bem pra nós do que nós pra ela. Chegar em casa e ser recebida pelo sorriso mais sincero e pelos olhinhos mais gratos, é indescritível. É nossa força, nosso anjo da guarda e nosso sonho!
O que você diria para os casais que pensam em adotar uma criança?
Digo que é impressionante como um ser humano que foi gerado em outro ventre pode ser tão intrinsecamente amado como se fosse biologicamente nosso! Porque o filho adotado foi o filho escolhido, com maturidade, com amor, com doação.
Com certeza nosso mundo estaria um pouco melhor se tivéssemos atitudes menos egoístas. Eu super recomendo: hoje sou uma pessoa muito melhor, muito mais feliz, muito mais completa!

Quatro irmãos são adotados pela mesma família em Farroupilha.


Casal decidiu adotar quatro crianças, com idades entre um e 12 anos, graças ao apoio da equipe de Farroupilha, na Serra. Cidade, que tem 0,6% da população gaúcha, fez 5% das adoções no RS em 2015

Por: Fernanda da Costa
15/08/2015
Foto: Félix Zucco/Agência RBS

Jaime e Fabiana com os filhos Vitória, oito anos, Laila, três, Carlos, 12, e Luís Gabriel, um ano.

— Esse é o meu bebê. Agora eu vou trocar ele — disse Laila, três anos, ao abrir a fralda descartável que colocou em seu macaco de pelúcia.

Ao lado, Luis Gabriel, de um ano, tomava mamadeira com os olhos vidrados em um desenho animado que a televisão exibia. Na mesma sala, Vitória, oito anos, ajeitava um curativo no braço, resultado de um exame de sangue recém-feito, e Carlos, 12 anos, falava sobre sua nova paixão esportiva: o tênis.

Vítimas de negligência por parte dos pais biológicos, os quatro irmãos foram encaminhados em fevereiro de 2014 para um abrigo de Farroupilha, na Serra. Poderiam ficar lá até os 18 anos, como muitos grupos de irmãos no país, mas foram adotados em abril de 2015. Pela mesma família.

Para o casal que os aceitou, a atitude rara de criar um quarteto só foi tomada devido ao incentivo da rede de apoio à infância do município.

— Não teríamos conseguido sem o apoio deles, pois não é fácil passar de zero para quatro filhos — relata a professora da Apae Fabiana, que realizou com o marido Jaime, otorrinolaringologista, ambos com 46 anos, o sonho idealizado há pelo menos quatro anos, quando entraram com pedido para se habilitarem à adoção.



Com 68 mil moradores, Farroupilha tem 0,6% dos habitantes do Rio Grande do Sul, mas realizou 5% das adoções gaúchas nos seis primeiros meses deste ano. De janeiro a junho, 19 crianças que estavam no abrigo do município ganharam novas famílias. A média de adoções para cada 10 mil habitantes é de 2,79, três vezes maior que a média estadual, de 0,78.

Governo federal deve reajustar verba para municípios manterem abrigos infantis

Conforme o juiz responsável pela Infância e Juventude na comarca de Farroupilha, Mario Romano Maggioni, Judiciário, Ministério Público, Conselho Tutelar, abrigo, centros de assistência social, unidades de saúde e escolas construíram uma parceria que dá prioridade absoluta às crianças acolhidas.

— Temos conseguido fazer esse trabalho de rede. Me emociono com as adoções porque conseguimos dar bom encaminhamento a crianças em alta situação de risco — afirma o magistrado.

Novo Cadastro Nacional de Adoção promete agilizar processos

Agilidade em destituir o poder familiar

O juiz explica que, quando há um acolhimento, a psicóloga e a assistente social do abrigo, que trabalham com exclusividade no local, contatam a família biológica e informam ao Ministério Público (MP) se ela tem condições de acolher os filhos novamente — análise entregue em no máximo 30 dias. Caso tenha, a rede ajuda os familiares a se reestruturarem. Cristiane Rotili, coordenadora da Casa Lar Padre Oscar Bertholdo, único abrigo de Farroupilha, relata que o índice de retorno dos acolhidos à família foi de 70% em 2014. Os outros 30% foram encaminhados à adoção e permaneceram em média sete meses no abrigo, tempo inferior ao prazo máximo previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), de dois anos.

Quando o parecer informa que os pais ou outros familiares não possuem condições, o MP entra na Justiça com uma ação de destituição do poder familiar – processo contra os pais biológicos, que, se julgado procedente, tira a vinculação legal deles com os filhos. Procedimento necessário para que a criança seja encaminhada à adoção, a destituição precisa ser julgada em, no máximo, quatro meses, conforme a Lei da Adoção. Enquanto essas ações chegam a demorar mais de um ano em Porto Alegre, conforme o MP, em Farroupilha tramitam em média nos quatro meses previstos por lei.

— Destituir do poder familiar não é uma coisa simples, mas se tenta agilizar ao máximo. Há mães que choram na minha presença, porque não querem perder os filhos. Me corta o coração — relata o juiz.

Mulheres na lista de adoção se preparam para serem mães

Maggioni costuma aguardar a destituição ser julgada para encaminhar à adoção, mas há exceções:

— No caso de uma gestante dependente química que teve de ser internada no hospital por determinação judicial para ter o bebê, fugiu do local e nunca foi visitar a criança no abrigo, eu não aguardo a destituição. Encaminho a criança para a família adotiva enquanto julgo o processo.

Apesar de algumas crianças terem sido encaminhadas a abrigos com 10 anos ou mais, há casos em que elas chegam pequenas, mas acabam crescendo nos locais devido à morosidade da Justiça.


http://zh.clicrbs.com.br/rs/vida-e-estilo/noticia/2015/08/quatro-irmaos-sao-adotados-pela-mesma-familia-em-farroupilha-4825216.html

"Ao adotar, recebemos mais do que damos"

Pretendentes precisam estar cientes dos trâmites burocráticos, 
das avaliações e do processo de adaptação da criança

José Eduardo e Eliane Patrícia falam sobre a felicidade de ter como filha Maria Letícia.
MARCO QUINTANA/JC. Jessica Gustafson

Os anos de espera pela chegada do filho adotivo são angustiantes para a maioria dos candidatos que se encontram no Cadastro Nacional de Adoção. Os que persistem certamente concordam que passar por essa fase valeu a pena. Eliane Patricia e José Eduardo Cardoso aguardaram três anos pela filha Maria Letícia, hoje com 10 anos. No final do ano passado, foi a vez de Lucas, de oito meses, entrar na família, após quase nove anos de espera. Um problema na atualização do cadastro os tirou da fila no segundo processo de adoção.

"No fim, este erro foi até divino. Se tivessem me chamado há três anos, não sei se teríamos condições. A Maria Letícia tem 10 anos, mas tem atraso cognitivo em decorrência de uma lesão cerebral. Só depois de um ano começaram a aparecer os problemas neurológicos, e foi todo um processo que realizamos até ela começar a andar. Naquela época, nós estaríamos mais envolvidos com ela", explica.

O casal já planejava adotar uma criança, além de ter filhos biológicos. Entretanto, após três fertilizações in vitro sem resultado, decidiram fazer o cadastro. A única diferença entre uma gestação e o processo de adoção, segundo Eliane, é que não tem como saber quando o filho irá chegar. "Quando os peguei no colo, era impossível dizer que não eram meus filhos. É um amor incondicional. Muitas vezes, se engravida sem querer, em um momento que não é o ideal. A adoção é uma coisa que acontece quando tu realmente estás pronta", afirma.

Quando ligaram para a residência do casal Cardoso informando que havia chegado um bebê no abrigo, a ansiedade foi grande. A espera de uma semana para que ele pudesse ser levado para casa pareceu ser de meses. "Na adoção, não sabemos quem faz mais bem para o outro. Acho que mais recebemos do que damos. Fazemos tantas coisas para a Maria Letícia melhorar. Se não a tivéssemos adotado, nem gosto de pensar como ela estaria", diz.

Para o casal, não existem dúvidas de que o vínculo afetivo entre pais e filhos é criado nesse contato. Até mesmo certa semelhança física entre eles é possível observar. Para Eliane, algumas coisas mágicas acontecem quando o amor envolve uma família. "Parece que eles sempre estiveram comigo. Quando eu fazia a fertilização, sempre imaginava que viria uma menina, ariana, de cabelos castanhos e encaracolados. A Maria Letícia é exatamente isso."

Hoje, eles entendem o tempo de espera para a adoção, devido ao cuidado que o Judiciário tem com as crianças acolhidas. O processo do Lucas ainda está em andamento e deve ser encerrado até o final do ano. Por enquanto, na certidão de nascimento, ainda está o nome da mãe biológica. "Ela e os familiares disseram que não queriam o bebê. A Justiça já tem experiência nestas situações. Então, quando eles analisam a história, têm uma ideia se existe possibilidade de voltar pra casa. Para a Maria Letícia, que é maior, já contamos a história dela. À medida que faz questionamentos, respondemos com sinceridade", completa.

Problema é a estrutura estatal para colocar a lei em prática, diz advogada

A advogada Liane Bestetti, membro do Instituto Brasileiro de Direito de Família e atuante há 20 anos na área, diz que a adoção, como todos os processos judiciais, obedece a várias etapas previstas em lei. Essa burocracia, mesmo sendo necessária, acaba gerando sofrimento nas duas partes interessadas.

Jornal do Comércio - Do que as pessoas que desejam adotar precisam estar cientes?

Liane Bestetti -
 Em primeiro lugar, de que a adoção é um ato de amor incondicional. É necessário ter ciência de que é um processo longo e demorado. Após a habilitação, é necessário obedecer a fila dos habilitados e aguardar até que uma criança com as características buscadas esteja apta a ser adotada. Além disso, o estabelecimento dos vínculos afetivo-familiares é lento e pode ser dificultoso, em especial com as crianças maiores. E mais: os adotantes serão avaliados por estudo social, às vezes, até avaliação psicológica, no período de convivência. Por fim, uma pesquisa do Conselho Nacional de Justiça concluiu que a idade da criança e/ou adolescente apto à adoção é o principal motivo de desencontro entre as preferências do pretendente e as características das crianças e dos adolescentes que aguardam por adoção no Brasil (nove em cada dez pretendentes desejam adotar uma criança de 0 a 5 anos, enquanto esta faixa etária corresponde a apenas nove em cada 100 crianças).

JC - Qual a razão da demora no andamento do processo de adoção?

Liane -
 O processo obedece a várias fases processuais previstas em lei, que visam garantir os direitos das crianças/adolescentes e dos adotantes, de forma que a relação receba a devida proteção estatal. No caso da adoção, o caminhar exige a prévia destituição do poder familiar (genitores biológicos), seguindo-se o procedimento habilitatório e, por fim, chegando-se à adoção propriamente dita. Por certo, estas etapas devem ser respeitadas, dada a importância da questão tratada, mas, pela própria natureza da causa, contribuem para a morosidade da adoção. Sem dúvida, o resultado da obediência às regras - que, sim, devem ser respeitadas - acaba por ser, em muitos casos, terrível e gerador de profundos sofrimentos, tanto para os menores quanto para os candidatos à adoção. E isto porque a natureza depõe contra o tempo do processo. Um, dois anos ou mais alteram, substancialmente, algo inexorável, que é a idade da criança, sua vivência. Isso confronta-se, muitas vezes, com o desejo dos adotantes de terem bebês ou crianças de tenra idade, ante o preceito - que de todo não pode ser afastado - de que os vínculos afetivos são formados na primeira infância.

JC - O que fazer para reduzir o processo?

Liane -
 A resposta é simples: diminuir o tempo do trâmite processual. O difícil é a execução. Como manter a segurança jurídica do processo sem que se percorra caminho tão longo? Hoje, estão em andamento várias propostas de alteração do mecanismo, e esperamos encontrar um meio mais eficaz para diminuir o sofrimento e o horror da espera.

JC - Apenas uma juíza é responsável pelos processos de adoção em Porto Alegre. Esse seria um dos motivos da demora, ou o perfil das crianças que as pessoas mais desejam é o que aumenta esse tempo?

Liane -
 Ambas as razões contribuem para a demora dos processos. O responsável em Porto Alegre tem executado um excelente trabalho, mas não pode, sob pena de desrespeitar o devido processo legal, base constitucional de todas as ações, suprimir fases previstas em lei. De outro lado, há um elevado número de processos, o que também colabora para a morosidade do sistema e, talvez o mais importante, o perfil buscado pelos adotantes reduz, em muito, o espectro das crianças e adolescentes passíveis de adoção, pois, fundamentalmente, a maioria busca crianças nos primeiros meses - no máximo, nos primeiros anos de vida. E, como dizia o poeta Cazuza, o tempo não para.

JC - É necessária a criação de uma nova lei para desburocratizar o processo? Quais pontos precisam ser modificados?

Liane -
 O problema não está na normatização, mas sim na estrutura estatal para colocar em prática o que a lei prevê. Assim, seria necessário um maior número de juízes, promotores e assistentes sociais diretamente lotados em varas especializadas de adoção. Outro ponto que se poderia levantar seria a diminuição dos prazos para o mínimo dos mínimos capaz de garantir a necessária segurança jurídica do processo.

Publicado na edição impressa de 08/07/2015

Grávidos do coração!



"Não queríamos ser pais adotivos ou biológicos, queríamos ser pais e ponto. Isso bastava!"
Conheça a emocionante história da Priscila e do Elias e sua espera por seu filho do coração!

“Meu nome é Priscila, tenho 31 anos e sou Psicóloga. Meu esposo se chama Elias, tem 34 anos e é motorista. Bom… Eu e o Elias estamos casados a 8 anos e como eu sempre quis adotar, desde solteira, falei com ele sobre o assunto assim que o conheci e ele na mesma hora passou a sonhar com a adoção também juntamente comigo.

Nossa intenção era primeiramente ter um filho biológico e em seguida entraríamos na fila da adoção, para que o segundo filho viesse através da mesma. Com aproximadamente um ano de casamento começamos a tentativa de engravidar sem sucesso e após alguns exames descobrimos que, tanto eu como meu esposo teríamos que fazer tratamento pra engravidar. Meu caso seria bem mais fácil de resolver, mas o dele seria muito mais difícil.

Até chegamos a começar o tratamento, mas em pouco tempo, conversamos e decidimos que como já queríamos adotar, não faríamos o tratamento e sim partiríamos direto pra adoção, pois pra nós não faria diferença alguma. Não queríamos ser pais adotivos ou biológicos, queríamos ser pais e ponto. Isso bastava!

Iniciamos o processo da entrega de documentação, curso, entrevistas, visita domiciliar e muito rapidamente estávamos habilitados. Quando recebemos a confirmação da nossa habilitação, é como um teste positivo de uma gravidez, pois a partir dali, seria uma nova fase, a fase de preparação e de espera do(a)s nosso(a)s filho(a)s.

No momento, estamos na espera de nosso(a) filho(a) para que nossa família se torne completa. A apesar da espera da adoção ser muito difícil, pois quando se está grávida sabe-se o tempo exato para o parto (9 meses), na gravidez da adoção nunca sabemos quando ela vai acabar, estamos com o coração tranquilo e esperançoso, pois sabemos que Deus tem um momento certo pra todas as coisas e já tem tudo preparado pra nós!

Adoção pra nós é a escolha de amar, simples assim! É formar uma família com um dos sentimentos mais lindos e puros que podem existir que é o amor incondicional. Esse amor que Deus tem por nós e que nos capacita a amar também!

Filho(a)…venha logo…estamos te esperando!”

Priscila Pas


Biológicos ou adotivos!


Felipe, Regina, Edmar e Pedro: os rapazes, completamente recuperados,
levam hoje uma vida normal.

 (Foto: Lia de Paula/Agência Senado)

 

 Biológicos ou adotivos os filhos precisam, às vezes, de cuidados especiais.

 

Quem disse que a adoção de uma criança doente só trará dor de cabeça? Para Regina e Edmar, casal de empresários de Brasília, esse é só mais um preconceito. Eles se inscreveram na vara de Infância há 23 anos e surpreenderam-se quando, pouco depois, foram chamados pela assistente social para conhecer um bebê recém-nascido. A rapidez logo se explicou: o bebê, internado há 40 dias, estava muito debilitado. Regina e Edmar lembram que, inexperientes, ficaram assustados com o fato de ele não esboçar qualquer reação, nem sequer piscava.
Mesmo assim, os dois não titubearam: assumiram a guarda da criança, levaram-na para casa e, consultada uma pediatra, foram alertados de que o neném estava com uma dupla pneumonia, acrescida de desidratação e desnutrição de segundo graus. Pensando no bem-estar do bebê, o casal decidiu tratá-lo em casa. Contrataram uma enfermeira, deram-lhe carinho e atenção permanentes e Pedro Henrique logo se recuperou.
Três meses depois, a pediatra solicitou a ajuda do casal para encontrar uma família para um bebê prematuro de 26 semanas, com apenas 850g, há dois meses na incubadora, onde havia sofrido duas paradas ­cardiorrespiratórias. O serviço social não conseguia encontrar uma família para o Pedro Felipe, especialmente quando os candidatos eram informados de que ele poderia vir a ter problemas visuais em razão do longo tempo de exposição à luz na incubadora. Mais uma vez, eles não pensaram duas vezes: chamaram o novo filho de Luiz Felipe.
Final da história? Regina e Edmar exibem com orgulho os dois rapagões, hoje com 23 anos, amorosos e unidos: Felipe é estudante de arquitetura, músico e compositor, e começa a pensar numa carreira artística. Já Pedro estuda veterinária e trabalha como corretor de imóveis e tem saúde perfeita.
Para Regina, o segredo para lidar com os “filhos do coração” é falar clara e objetivamente sobre isso desde a primeira infância, sem rodeios ou subterfúgios. “Mesmo na escola os meninos tiveram problemas, porque as pessoas ainda hoje estranham. Já respondi a perguntas estúpidas de outras mães: ‘Mas eles não são rebeldes? Você consegue que eles te obedeçam? Você os castiga?’ Ora, que perguntas são essas? Eles se comportaram e foram tratados igualzinho às demais crianças e adolescentes na idade deles”.
Regina lembra ainda que eles foram consultados sobre ficar com uma menina de 3 anos devolvida pela mãe adotiva porque era muito “desobediente e bagunceira”. “Fiquei arrasada quando soube da cena no Juizado de Menores: a menina, agarrada à saia da mãe, prometendo não pegar de novo a boneca da irmã para que a mãe não a deixasse”, relembra. Outro casal acabou por adotá-la, mas Regina diz que não teria nenhum problema em adotar uma criança mais velha. “Tudo o que você tem que fazer é ajustar suas expectativas, é não ter expectativas. Ele ou ela não tem que ir direto para a escola particular, não tem que mudar tudo, ‘virar uma chave’. Temos de respeitar as suas poucas experiências de vida. É lidar com a situação de forma clara, aberta e, acima de tudo, ­paciente e amorosa.

Coragem para renovar!

Marconi, Isadora e Beth: processo de adoção está terminando e laços 
afetivos serão legalmente reconhecidos.

(Foto: Pedro França/Agência Senado)

"Uma criança adotada vira filha. O amor e o carinho são os mesmos”, enfatiza a jornalista Beth Nardelli, mãe de Isadora, hoje com 7 anos. A menina nasceu em 2006, filha biológica de J., uma ex-empregada de Beth. A intenção inicial da jornalista e do marido não era adotar, mas o tempo foi criando laços e desfazendo outros.
Beth e o marido, Marcus Marconi, jornalista e publicitário, tinham, então, 53 anos e quatro filhos biológicos, uma dela e três dele. “Nós apoiamos J. durante a gravidez, mas não queríamos adotar”, conta. Beth abrigou a mãe e a criança em casa, durante os ­quatro meses da licença-maternidade. A jornalista tinha a esperança de que, nesse ­período, o vínculo afetivo da mãe com a filha se fortalecesse.
Quando J. voltou a trabalhar, Isadora ficou na casa de Beth, mas o casal continuou insistindo para que a mãe ficasse com a menina. Um ano depois, J. resolveu assumir a criança. Mas episódios de negligência fizeram com que Beth e o marido pedissem a guarda de Isadora, com o consentimento da mãe da menina.
No final de 2008, a jornalista procurou a vara da Infância e da Adolescência em Brasília, onde lhe foi dito que a criança deveria ir para um abrigo. “A filha já era minha. Eu não iria mandá-la para um abrigo”, protestou Beth, que procurou, então, a vara de Família, onde conseguiu a guarda definitiva.
Em junho de 2010, o casal deu entrada no pedido de adoção. Quase três anos depois, o processo está chegando ao fim. Nesse período, foram feitas audiências, entrevistas com os pais e com a criança, visitas à residência da família. Para Beth, o prazo é razoável, mas se a pessoa já estiver cuidando do filho adotivo na própria casa. “Deve ser difícil para quem busca adotar uma criança e não pode ficar com ela enquanto isso. Aí, sim, o prazo é longo. Mas é preciso entender que a avaliação da família substituta é necessária, até para que a criança não venha a ser vítima de novo abandono ou de maus-tratos pelo adotante”, avaliou.
Ao participar de grupo de apoio à adoção, Beth ouviu críticas por não ter entrado na lista do cadastro de adoção. Ela argumenta, no entanto, que não queria adotar qualquer criança, mas, sim, Isadora, com quem o vínculo afetivo já estava estabelecido. Hoje, Beth afirma que adotar uma criança foi uma das melhores coisas que aconteceram na vida dela e do marido. “Muitos dizem que somos corajosos e achamos graça nisso. Filho renova, isso sim!”, conclui.

Nossos filhos, nossas escolhas!


(Foto: Paulo Cruz)

"Nossos filhos, nossas escolhas. Uma filha, um filho e outro filho. Cada um chegou em um tempo, de uma forma, com uma idade, com uma história diferente e uma carinha linda que entregava... Eram nossos filhos.
Cada um foi muito desejado, muito esperado e, cada um ao seu jeito, nos ensina a ser pai e mãe, diariamente. Nos ensinam que os filhos não saem da gente, mas entram um pouquinho a cada dia, como diz uma dinda.
De uma vez só, são três abraços, três beijos, três banhos, três papás, três histórias, três perfumes, três cafunés, milhões de travessuras, risadas e choros, tudo junto e misturado, todos os dias de nossas vidas, para sempre.
Fabiana, Arthur, Valentina, Leandro e Miguel... Gadelha."
Fabiana Gadelha, de Brasília

Laços

Maria Rita já tinha três filhos quando decidiu adotar Felipe, 
soropositivo que foi abandonado pela mãe biológica em um hospital
Crianças e adolescentes soropositivos também fazem parte do grupo que sofre rejeição. Segundo dados do Cadastro Nacional de Adoção, atualmente existem cerca de 132 portadores do vírus HIV disponíveis para adoção. A fundadora do Movimento Nacional de Crianças Inadotáveis, Aristéia Moraes Rau, alerta, porém, que há uma quantidade muito superior aos números oficiais. “Parte do Judiciário acredita que não há interesse por essas crianças e, como os abrigos estão superlotados, a maioria acaba de fora da lista de adoção”, diz. É o caso de Felipe, que mal tinha nascido e fora condenado à morte. Tinha Aids, problemas pulmonares e foi abandonado em um hospital público de Curitiba pela mãe biológica. A artista plástica Maria Rita Teixeira era voluntária da Associação Paranaense Alegria de Viver (Apav), uma organização que cuida de crianças e adolescentes soropositivos, quando soube do caso de Felipe. “Tinha três filhos biológicos e um pressentimento muito forte de que teria mais um”, diz. “Quando vi o Felipe, me apaixonei.”

Sintonia




Nathália (à esq.) foi adotada aos 4 anos por Paula, que aprendeu a linguagem de sinais para se comunicar com a filha deficiente auditiva Hoje no Brasil existem 125 grupos de adoção que ajudam a preparar pais adotantes a conviver com as necessidades dos filhos especiais. Paula Bueno, 47 anos, é um deles. Ela fazia trabalho voluntário com crianças em orfanatos e abrigos de São Paulo quando decidiu adotar Nathália, uma menina de 4 anos, portadora de deficiência auditiva. “O abrigo que ela vivia incentivava o convívio familiar e, como eu já a conhecia, resolvemos passar um fim de semana juntos. Depois disso, queríamos estar todos os dias com ela.” O processo para a adoção começou em 2001. Paula logo apresentou os documentos para entrar no Cadastro Nacional de Adoção e, um ano depois, conseguiu a guarda definitiva. “Era uma criança agitada, já havia passado por algumas famílias, mas nenhuma quis ficar com ela”, afirma a mãe. Além do curso preparatório pelo qual devem passar todos os pais antes de adotar crianças com deficiência, Paula procurou também um curso de libras para conseguir se comunicar melhor com a filha. Matriculou Nathália em uma escola convencional e, aos 11 anos, ofereceu-lhe um implante coclear – espécie de ouvido biônico que lhe devolveu 80% da audição. Para a psicóloga e presidente da Associação Nacional de Grupos de Apoio à Adoção (Angaad), Suzana Schettini, encontrar pais que queiram adotar crianças com deficiência ainda é muito difícil. 

Depoimento de Bárbara Zambelli Martins Garcêz





Amigos, vim contar um pouquinho da minha história… 
Bem, me chamo Bárbara, tenho 30 anos, sou carioca, geógrafa, professora e vivo numa cidadezinha do interior do Rio de Janeiro há cerca de 3 anos. Meus pais são divorciados desde que tenho 13 anos… Tenho 5 irmãos, embora somente 1 seja por parte de pai e mãe. Sou solteira e minha mãe mora comigo. Ela é minha parceira, minha amiga, meu porto seguro, minha animadora, enfim, uma MÃE!!!



Eu sempre quis ser mãe, embora nunca sentisse grande desejo de ser esposa… Os anos passaram, eu nunca encontrei alguém que realmente valesse a pena compartilhar minha existência, mas o desejo de ser mãe só se intensificava. Foi então que o diagnóstico do meu ginecologista, em 2008 caiu como uma bomba na minha vida: por problemas fisiológicos, minha possibilidade de gerar um filho seria quase nula. Restava tratamentos de fertilidade. Mas no meu entendimento, gastar rios de dinheiro num procedimento com tão poucas garantias, enquanto tantas crianças estão espalhadas pelo mundo precisando de um lar era uma incoerência. Então comecei a preparar minha vida espiritual, psicológica e financeiramente para uma gestação da alma, através da adoção.

Em abril de 2010 dei entrada na papelada do fórum para a habilitação, e confesso foi muito mais simples do que eu imaginava. Meu perfil foi: SEXO INDIFERENTE, COR INDIFERENTE, ACEITANDO DOENÇAS TRATÁVEIS, ACEITANDO HIV POSITIVO, IDADE DE 0 13, ACEITANDO GRUPO DE IRMÃOS… Alguns amigos criticaram a amplitude do meu perfil, mas como expliquei a eles, não estava indo numa vitrine escolher um produto, nem tão pouco indo fazer caridade, eu queria ser mãe, não importasse como fosse meu filho ou filha, ele já estava sendo gerado na minha alma e eu o aceitaria como ele viesse e com os desafios que com ele viessem. Tenho fé que seria amparada por Deus da mesma forma que qualquer gestante que também não conhece seu bebê.

Entrevistas… Processo rolando… E aí eis que em julho deste mesmo ano um bebê é abandonado na entrada da cidade onde vivo, ainda com horas de nascida, numa sacola plástica. Eu não quis me envolver com a história para não criar expectativas. No entanto, 3 dias após o fato minha habilitação saiu, e eu aguardei… Dia 4 de agosto de 2010, recebi uma ligação da psicóloga do fórum e ainda lembro de cada palavra: “Bárbara, a juíza mandou perguntar se você tem interesse no bebê que foi abandonado. É uma menina, negra, ainda não tem um mês… Como você é a ÚNICA pessoa habilitada na comarca ela mandou te questionar. Caso você não manifeste interesse, ela será encaminhada para o cadastro nacional”. Meu coração bateu a mais de 1000… Minha barriga doía, eu suava e parecia em trabalho de parto… Não pensei duas vezes, disse que sim e ela disse que eu tinha 5 minutos pra chegar no Fórum para conhecer o bebê.

Foi naquela tarde de 4 de agosto que eu me tornei mãe, quando meus olhos se apaixonaram por aquela pequena pérola, tão frágil, tão viva, tão guerreira… No dia seguinte estava na defensoria pública dando entrada no pedido de adoção, e dia 12 de agosto eu levei Helena para casa e para nunca mais sair de minha vida. Minha primogênita já teve o processo concluído, já tem certidão, onde consto como sua mãe!!! Como meu perfil era muito amplo, jamais imaginei que teria um bebê… E lá estava eu, entre fraldas, mamadeiras, banhos, creminhos, chupetas… Quanta alegria! Viramos a casa das três mulheres… Eu, minha mãe e a pequena princesa Helena!!!

Mas a história ainda não havia terminado… Como no meu perfil eu aceitava grupos de irmãos, apesar da adoção da Helena, meu nome não saiu do CNA. Então, eis que em Janeiro deste ano, 2011, recebo uma ligação de uma comarca de outra cidade, atmbém ainda lembro de cada palavra: “Bárbara, aqui é da comarca de Petrópolis, tudo bom? A gente acessou seu perfil no CNA e ficamos muito felizes, pois temos um grupo de irmãos que se enquadra e que precisa muito de uma família. São duas meninas (uma bebê de 3 meses e uma garotinha de 5 anos) e um menino (de 6 anos). Te interessa?” Naquela hora eu gelei… Afinal, Helena estava só com 6 meses de vida… Como é que eu iria me virar com dois bebês? Mas não tive coragem de recusar, senti aquela coisa no peito de novo… Então, peguei o telefone da comarca e pedi um tempo pra pensar… Ao desligar o aparelho, corri para o ombro da minha melhor amiga, confidente e companheira: minha mãe! Expliquei tudo a ela e para minha surpresa a resposta dela foi a seguinte: “As pessoas não têm gêmeos? Então, é assim que vamos lidar com dois bebês… Você pensava em no máximo três, mas a sua casa é grande e cabem quatro… Eles precisam, você precisa, vamos lá!”. Não esperei e retornei a ligação para o Fórum marcando para o sábado seguinte para ir conhecer as crianças… Então sábado de manhã, lá íamos nós três (eu, minha mãe e a pequena Helena) viajar 300 km para conhecer o complemento da nossa família.

Chegando lá, conhecemos a pequena Kamille (que tinha 3 meses mas era menor que um recém-nascido, pois pesava 3 kg) e a dupla dinâmica Karolyna e Kauã (mais colados que unha e carne). Foi amor mesmo, porque paixão dá e passa. Já saímos de lá imaginando as obras na casa!!! E a Helena, que não era de aceitar qualquer pessoa, gamou nos irmãos… Iniciava-se assim, 2 meses de estágio de aproximação, onde eu dirigia 600 km todo sábado, junto com minhas fiéis companheiras, para estar junto com os outros filhos no “Lar de Crianças”. No carnaval, recebi autorização para Kauã e Karol passarem uma semana comigo… Foi uma alegria e uma bagunça… Minha cabeça estava na pequena Kamille, que ficou no abrigo, mas a farra foi farta… No sábado pós-carnaval tive que levá-los de volta, com o coração na mão. Quando chegou no abrigo, eles entraram, o portão fechou e eles atrás esticaram a mão e falaram: “Mãe, você volta, né? Não demora pra levar a gente pra casa tá…” Achei que fosse morrer… Voltei os 300 km dirigindo aos prantos…

Quando cheguei em casa, olhava o quartinho deles, já todo decorado e vazio… Ai, me arrepio só de lembrar… Mas na segunda-feira, a psicóloga do Fórum ligou e disse que eu podia buscá-los na terça… Ai que alegria, quando terça-feira, 15 de março de 2011 amanheceu… Rumei para Petrólolis e trouxe todos pra casa… Kamille fazia aniversário de 5 meses e estava tão linda… Kauã e Karol eufóricos, e eu me sentindo COMPLETA! Assim foi… estamos juntos e a casa hoje é a das 5 mulheres e 1 homem!!! É verdade, nunca mais dormi um sono completamente tranquilo… Silêncio, só de madrugada… Minhas finanças estão justas… Mas estamos muito felizes, e é isso que importa.

Como sou funcionária pública estadual, sou beneficiada pelo programa “Um Lar Para Mim” e recebo um auxílio para os 2 mais velhos (prova de que Deus nunca nos desampara). Vivo com o suficiente para que eles tenham uma boa educação e saúde, comida de qualidade e muito amor e atenção! Helena é muito saudável. Kauã, Karol e principalmente Kamille são crianças que muito sofreram, tem baixo peso e apresentam alguns problemas de saúde, mas estamos tratando e tudo está se resolvendo… Minha duplinha já estuda, e são ótimos alunos… São obedientes, carinhosos e travessos… Minhas quase gêmeas são muito amigas e hoje uma com 13 meses e a outra com 10 meses, estão aprendendo juntas a falar, andar, enfim, a viver.
Hoje posso dizer que sou A MÃE MAIS COMPLETA E FELIZ DA FACE DA TERRA!