Depoimento de Elaine Andrade




Sou mãe solteira de um casal de irmãos, adotados em 23 de Dezembro de 2009.


Gabriel Yeshua e Rebecca Mariamne (nome que escolhi quando ganhei a guarda definitiva e a certidão de nascimento - coisa que algumas pessoas não sabem que é possível fazer - trocar o nome - e ainda tem muito preconceito em relação a isso) têm 4 e 3 anos, respectivamente. Ambos foram retirados dos pais biológicos por negligência que gerou um acidente, quando tinham 18 meses (Gabriel) e 20 dias (Rebecca).

Depois da liberação para adoção, foram apresentados a vários casais, que se negavam a ficar com a menina (que possui sequelas estéticas do acidente), queriam adotar somente o garoto. Mas, por determinação do juiz, devido as sequelas que ela tinha, não iria separá-los. Eu fui a última chance para os dois; caso eu não os aceitasse, ambos seriam encaminhados à adoção internacional.

Gostaria de relatar a experiência de ser mãe solteira e, principalmente, compartilhar informações para as pessoas que estão na fila de espera ou ainda pensando em entrar com processo para adoção, não possuem.

Além de sofrer muitos preconceitos por ser mãe solteira (muitos ainda acham que é impossível este tipo de adoção e ainda acham que isso não deveria existir, porque a criança precisa ter "obrigatoriamente" pai e mãe. Na mentalidade de muitas pessoas, uma mulher solteira pode gerar, dar a luz e criar uma criança sozinha, uma mulher nas mesmas condições não tem o direito de adotar), e também porque as pessoas acham que as sequelas do acidente foram provocadas por negligência minha já que não sabem que minha filha é adotiva (em locais públicos chego a ser repudiada e caracterizada como "monstro"), mas o preconceito nunca conseguiu ou conseguirá tirar a enorme satisfação que é poder dar nova vida a uma criança e ser amada incondicionalmente por ela.

Sinto esta necessidade de compartilhar minha história para que ela sirva de coragem a tantos casais que sonham em ter um filho do coração porque sabemos que a burocracia desestimula muitos casais, mas, principalmente, a falta de informação é o que mais os afasta da adoção.


Um comentário:

  1. Olá, tudo bem?
    Estou no processo de produção de um documentário sobre maternidade independente para o meu TCC de jornalismo. Para dar consistência ao projeto, estou buscando mães que optaram pela adoção e que pudessem ser entrevistadas.
    Gostaria de saber se você estaria disposta a compartilhar sua história, falar sobre a decisão de optar pela maternidade independente e como é ser uma mãe solteira por opção

    Obrigada pela sua atenção e aguardo um retorno.
    Stefanie Zorub
    (11) 9.7582-8613

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