Coragem para renovar!

Marconi, Isadora e Beth: processo de adoção está terminando e laços 
afetivos serão legalmente reconhecidos.

(Foto: Pedro França/Agência Senado)

"Uma criança adotada vira filha. O amor e o carinho são os mesmos”, enfatiza a jornalista Beth Nardelli, mãe de Isadora, hoje com 7 anos. A menina nasceu em 2006, filha biológica de J., uma ex-empregada de Beth. A intenção inicial da jornalista e do marido não era adotar, mas o tempo foi criando laços e desfazendo outros.
Beth e o marido, Marcus Marconi, jornalista e publicitário, tinham, então, 53 anos e quatro filhos biológicos, uma dela e três dele. “Nós apoiamos J. durante a gravidez, mas não queríamos adotar”, conta. Beth abrigou a mãe e a criança em casa, durante os ­quatro meses da licença-maternidade. A jornalista tinha a esperança de que, nesse ­período, o vínculo afetivo da mãe com a filha se fortalecesse.
Quando J. voltou a trabalhar, Isadora ficou na casa de Beth, mas o casal continuou insistindo para que a mãe ficasse com a menina. Um ano depois, J. resolveu assumir a criança. Mas episódios de negligência fizeram com que Beth e o marido pedissem a guarda de Isadora, com o consentimento da mãe da menina.
No final de 2008, a jornalista procurou a vara da Infância e da Adolescência em Brasília, onde lhe foi dito que a criança deveria ir para um abrigo. “A filha já era minha. Eu não iria mandá-la para um abrigo”, protestou Beth, que procurou, então, a vara de Família, onde conseguiu a guarda definitiva.
Em junho de 2010, o casal deu entrada no pedido de adoção. Quase três anos depois, o processo está chegando ao fim. Nesse período, foram feitas audiências, entrevistas com os pais e com a criança, visitas à residência da família. Para Beth, o prazo é razoável, mas se a pessoa já estiver cuidando do filho adotivo na própria casa. “Deve ser difícil para quem busca adotar uma criança e não pode ficar com ela enquanto isso. Aí, sim, o prazo é longo. Mas é preciso entender que a avaliação da família substituta é necessária, até para que a criança não venha a ser vítima de novo abandono ou de maus-tratos pelo adotante”, avaliou.
Ao participar de grupo de apoio à adoção, Beth ouviu críticas por não ter entrado na lista do cadastro de adoção. Ela argumenta, no entanto, que não queria adotar qualquer criança, mas, sim, Isadora, com quem o vínculo afetivo já estava estabelecido. Hoje, Beth afirma que adotar uma criança foi uma das melhores coisas que aconteceram na vida dela e do marido. “Muitos dizem que somos corajosos e achamos graça nisso. Filho renova, isso sim!”, conclui.

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